09/06/2026

Walter Salles descarta expectativas de Palma de Ouro

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Cannes- Walter Salles chegou a Cannes na noite desta segunda-feira (17), para prestigiar a exibição, na competição oficial, de seu filme Diários de Motocicleta, na manhã desta quarta (19), seguida da coletiva de imprensa prevista no protocolo do festival - onde estarão presentes também os atores Gael García Bernal, Rodrigo de la Serna, Mia Maestro, o roteirista José Rivera, e, claro, Alberto Granado (o amigo de Che Guevara retratado no filme). Destes, apenas Mia Maestro e José Rivera não participaram do lançamento brasileiro do filme que acumula, em duas semanas em cartaz, 215.734 espectadores, segundo os dados do semanário "Filme B".

Salles não escondeu sua satisfação com estes números no Brasil - "a freqüência do filme não caiu praticamente nada e continua repercutindo agora nos cadernos de política", observou, numa entrevista concedida nos jardins do Hotel Résidial. Também mostra-se absolutamente sereno com suas possibilidades de vencer a Palma de Ouro: "Não tenho a menor idéia e acho que este é um exercício que não se deve fazer".

Frisou que ouviu falar que a seleção de competidores este ano "está muito forte" e que não teve ainda tempo de ver quase nada. Assistiu apenas ao filme de Emir Kusturica, La Vie Est un Miracle, não lhe poupando elogios: "Ele tem um completo controle da mise-en-scène". Acha que um dos fortes concorrentes é 2046, de Wong Kar-wai - cuja exibição acaba de ser adiada de quinta para sexta porque a cópia do filme não chegou a Cannes -, ainda mais tendo em vista que Kar-wai apresentou dois grandes filmes em Cannes anteriormente (Happy Together e Amor à Flor da Pele), que foram premiados mas não venceram a Palma e que esta pode ser sua chance.

O diretor brasileiro ficou também contente de saber da repercussão positiva do filme de Michael Moore, Fahrenheit 9/11, aplaudido de pé por 15 minutos pelo público na sessão oficial. "Moore é um cineasta necessário", definiu.

Jurado no Festival de Cannes em 2002, ele acha mais confortável estar do outro lado, como concorrente. Guarda boas lembranças da experiência daquele júri, presidido pelo cineasta americano David Lynch: "Aquelas pessoas estavam ali para gostar dos filmes. Havia um desejo de cinema nelas". Por considerar seu filme "simples e direto", reitera que, por isso nunca teve expectativas para este festival. "Nunca pensei que estaríamos aqui. Em Sundance sim, porque é a casa do cinema independente. Mas aqui costumam transitar filmes com outras características", explicou.

O cineasta brasileiro esclareceu também a questão do festival de Berlim. Salles diz que Diários de Motocicleta foi selecionado para o festival alemão também, mas houve problema de datas. Por estar filmando o suspenseDark Waters nos EUA, Salles não podia comparecer para as entrevistas daquele festival a não ser no sábado (nos dias de semana, devia filmar). Como não foi possível acomodar sua agenda nesse dia, ele acabou desistindo do festival, que venceu em 1998 com Central do Brasil.

Para a sessão oficial, às 19h30 desta quarta, Salles não espera a vinda do produtor Robert Redford. "Só se ele vier me fazer uma surpresa", brincou. Além da participação em Cannes, o diretor está preparando o lançamento internacional do filme a partir de agora. Nesta sexta, estréia na Inglaterra, em 14 de junho (aniversário de Ernesto Guevara), em Cuba, e no dia 8 de outubro, nos Estados Unidos.

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