08/08/2026

"Carandiru" estréia na França massacrado pela crítica

post-img
Um ano depois de ter competido à Palma de Ouro no Festival de Cannes - de onde saiu sem premiações - o filme brasileiro Carandiru (foto), de Hector Babenco, estreou comercialmente na França hoje (2) (naquele país, as estréias de cinema acontecem às quartas-feiras). Da mesma forma que ocorrera quando passou por Cannes, a recepção da crítica foi das mais severas.

A avaliação média do drama de prisão - que foi sucesso de bilheteria no Brasil, visto por quase 5 milhões de espectadores - não passou de duas estrelas. Essa foi a cotação, por exemplo, da revista Première, em que o crítico Gérard Delorme avalia: "Deliberada ou não, esta ausência do sentimento do encarceramento retira toda a credibilidade ao projeto, por mais humanista que seja". Na mesma linha, Jean-Claude Loiseau, da revista Télérama, destaca: "Querer colocar todos os deserdados da sociedade brasileira neste 'filme-valise' foi muito ambicioso". Thomas Sotinel, do jornal Le Monde, acentua que "enquanto se prepara o cataclisma final, já nos habituamos a considerar Carandiru como uma espécie de teatro de sombras, onde os destinos são caprichosos demais para que acreditemos neles".

Mais contundentes ainda, com avaliação de uma estrela apenas, foram os críticos Eric Libiot, do jornal L´Express e Alex Masson, da revista Brazil. Libiot afirma: "Carandiru parece um filme mal-realizado, mal-fotografado, escrito às pressas. Mas o pior está por vir: dura 2 horas e 26 minutos". Masson, por sua vez, considera o filme "uma abordagem bastante hipócrita do universo carcerário, com aparência de um mau spot para a Anistia Internacional".

Mais indulgente foi o crítico do jornal Le Figaro, Dominique Borde, que concedeu três estrelas em sua cotação. Em seu texto, Borde analisa: "Partindo do caos para chegar ao apocalipse, Carandiru é às vezes uma descida muito realista aos infernos e um estudo compassivo de uma sociedade maldita".

Cineweb 2-6-04 20h10

Notícias relacionadas