
O curta Antônia, de Flávio Carnielli, é o primeiro filme brasileiro a competir no III Goya Rural, festival que acontece entre 13 e 15 de agosto, na Espanha, e é especializado em filmes mudos e de temática regionalista. O filme concorre com produções de países como Bulgária, Irã, França e Hungria. Depois disso, a obra será exibida no festival brasileiro de curtas Kinoforum, que acontece entre 19 e 29 de agosto.
Antônia é um filme sem diálogos e colorizado como uma foto preto e branca pintada à mão e mofada pelo tempo. São registros de como a tristeza e a solidão causadas pela morte contaminam a relação humana com a fé e a natureza. A história se passa em uma fazenda no interior do Brasil do século XIX, quando a varíola, antes de matar, apodrecia suas vítimas e as vidas daqueles que os cercavam.
Segundo Carnielli, seu desejo era escrever uma história que fosse ao mesmo tempo triste, suja e encantadora. “Por isso, a escolha pelo silêncio e pela analogia com as fotografias antigas, colorizadas e mofadas pela ação do tempo”, conta. “Tal como a doença e a morte ao longo da história, esse conjunto de imagens desperta em nós, simultaneamente, uma espécie de fascínio mórbido por sua beleza decadente – que raramente ousamos expressar em palavras – e o horror em constatar a nossa própria mortalidade”.
O produtor de Antônia, Hamilton Rosa Júnior, também cineasta, afirma que, o filme ficou pronto exatamente quando a pandemia começou e os festivais entraram num impasse. “Os organizadores dos eventos não sabiam o que fazer. Fechar as portas ou modificar a estrutura e exibir os filmes online? Mesmo assim lutamos para o Antônia conquistar seu espaço e estamos conseguindo uma boa recepção”.
O filme já foi selecionado para 18 festivais e ganhou sete prêmios, inclusive, o de Melhor Curta Brasileiro no Festival Crash Internacional.
