04/06/2026

Filme nacional “Ménage” expõe machismo tóxico na política

       Luan Cardoso, diretor de Ménage, filme sobre a política brasilleira (Crédito: Divulgação/Ana Rovati)

Ménage, além de ser um filme forjado na tradição de um cinema independente e com fome, é um filme realizado no contexto politico complexo em que estamos e à margem da pequena indústria brasileira”. É assim que Luan Cardoso define seu primeiro longa de ficção, que chega aos cinemas nessa quinta-feira (17/03). Ao centro da trama, estão a política e os políticos brasileiros.
 
Os protagonistas são o candidato Ariel Albuquerque (Vinícius Ferreira), o deputado Roberto Rodrigues (Francisco Gaspar) e o advogado Veiga Albuquerque (Lino Camilo), que, depois de passar uma noite num motel com uma prostituta (Elisa Telles), encontram o corpo dela boiando na piscina no quarto. O trio entra em desespero e começa a bolar um plano para se salvar do escândalo.
 
O diretor aponta que a palavra francesa “ménage” tem vários sentidos, não apenas o mais famoso no Brasil, o sexual. “Ménagerie por exemplo, significa zoológico e femme de ménage é uma trabalhadora doméstica. Mas a provocação não acaba no título. O filme coloca luz sobre certos horrores privados de escândalos públicos que diariamente aparecem nos noticiários, nas conversas de família e nos restaurantes, mas que parece significarem nada, também por causa de um desinteresse mortal das pessoas pela politica real e pelo caminho que nos trouxe até aqui, isto é, a própria história do Brasil”.
 
Ele garante, no entanto, que os “horrores” que o longa retrata não são exatamente inspirados em escândalos específicos. “O filme vai apontar para uma das raízes do problema no nosso sistema politico, que é esse machismo tóxico e autoritarismo tão presentes nos nossos representantes e que foi passando de geração em geração dentro da formação politica do nosso país.”
 
“O fato de dois dos personagens centrais do filme serem de família tradicional politica não é uma crítica direta ao Collor, ao Aécio, ou ao ACM Neto, mas ao fato de mais de 70% do nosso quadro politico brasileiro ser assim, ‘de filhos e netos’ que muito cedo são colocados na vida pública e nessa grande ‘festa de família’ e ‘tradição’, e muitas vezes não visam nada mais do que usar seu prestígio e dinheiro para os desejos mais perversos e egoístas”, complementa.
 

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