08/06/2026

Diretor de "Super Size Me" chega a São Paulo

post-img
No Brasil há duas semanas, onde já participou do Festival Internacional de Brasília, o diretor americano Morgan Spurlock veio a São Paulo nesta quarta-feira para divulgar seu polêmico documentário Super Size Me- que estreou em maio nos EUA, depois de ganhar o prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance em janeiro e cutucar com vara curta a rede de lanchonetes McDonald´s, o grande alvo de seu filme. No Brasil, a estréia está marcada para 20 de agosto.

Ao longo de 98 minutos, o diretor, que é também o protagonista, mergulha numa jornada de super-alimentação, comendo café da manhã, almoço e jantar sempre nas lanchonetes do McDonald´s e aceitando a refeição "super size" que lhe é constantemente oferecida, em diversas cidades dos EUA.

Ao final de 30 dias, o cineasta, que sempre foi magro, havia aumentado o peso em 11 quilos, atingido níveis preocupantes de colesterol e hipertensão e sofrido por dias uma síndrome de abstenção que incluía dores de cabeça e tremores. Um processo que foi acompanhado passo a passo por três médicos, um cardiologista, uma gastroenterologista e um clínico geral.

Por conta desse auto-sacrifício, que se liga todo o tempo a uma campanha contra a obesidade que hoje atinge um em cada três americanos - a se acreditar nas estatísticas do filme - Spurlock é uma superestrela do documentário, que só perde em visibilidade para Michael Moore, diretor de Fahrenheit - 11 de setembro (que estréia no Brasil nesta sexta) e Tiros em Columbine, vencedor do Oscar da categoria no ano passado. Quando se menciona a semelhança do seu trabalho ao de Moore, o cineasta admite: "Fico honrado com a comparação". Ele acha, também, que o extraordinário sucesso de Fahrenheit - 11 de setembro, que arrecadou mais de US$ 100 milhões na bilheteria americana e projeta uma arrecadação mundial de mais de US$ 300 milhões, "ajuda qualquer documentarista".

Embora não tenha números assim tão espetaculares para mostrar, o diretor de Super Size Me não tem do que reclamar. Sua produção, que custou apenas US$ 65.000, provenientes de uma indenização da demissão do último emprego, já rendeu US$ 11 milhões só nos EUA, o que significa o equivalente a 2 milhões de espectadores. Até o final deste ano, o filme terá sido lançado em cerca de 35 países.

Se incomodou a rede McDonald´s, um dos gigantes mundiais no reino do fast food, isso não rendeu nenhum processo ao cineasta até o momento. A rede, em todo caso, tem procurado sempre desmentir o que ele afirma no filme: ou seja, basicamente, que a comida fornecida em suas lanchonetes seja prejudicial à saúde de alguém ou induza à obesidade.

Semanas atrás, representantes da rede no Brasil enviaram a diversos jornalistas, mesmo antes de qualquer solicitação de sua parte, um pequeno documento intitulado "Consumir 5 mil calorias por dia é um risco para a saúde", em que mencionam "o diretor e intérprete de um filme" sem dar o nome de Spurlock mas claramente referindo-se ao seu trabalho.

Spurlock não está surpreso com esta reação. Ele mesmo perguntou aos jornalistas presentes na coletiva: "Vocês não receberam nenhuma comunicação, nenhum e-mail da McDonald´s? Pois vão receber".

Para ele, esta é a estratégia de relações públicas da empresa para desmenti-lo. Ele comenta que a McDonald´s - cujos representantes não quiseram dar declarações em seu filme - tem optado por recursos mais sutis desde que saiu pela culatra uma tentativa de enfrentar o lançamento de Super Size Me de maneira mais agressiva, como ocorreu na Austrália.

Nesse país, a rede colocou trailers nos cinemas em que o vice-presidente da empresa dizia que o filme que iam ver era "uma mentira". O que acabou, segundo Spurlock, "tendo o efeito contrário. As pessoas diziam: 'Preciso ver esse filme!'".

Nada demove Spurlock da intenção de continuar promovendo Super Size Me. Em setembro, quando o filme sai em DVD nos EUA, ele vai viajar por todo o país num tour pelas escolas, procurando levar o seu trabalho ao maior número de pais, educadores e adolescentes. "Gostaria que o mesmo fosse feito aqui no Brasil", afirma.

Nem um pouco adepto da comida light, no Brasil Spurlock já descobriu a feijoada e o rodízio de churrasco. E não esconde que adora um cheeseburger. "Mas gosto dele com carne moída fresca, pão fresquinho e queijo saboroso. Com certeza, há muitos lugares melhores para comer um sanduíche desses do que no McDonald´s".

Ao seu lado, sua namorada Alexandra Jamieson, uma chef vegetariana que promoveu sua dieta de desintoxicação, apenas sorria. Mas ela mesma confessa que adorou a caipirinha: "Já tomei várias, são uma delícia!".

Cineweb 28-7-04 19h25

Notícias relacionadas