04/06/2026

Obra de Ana Maria Magalhães é tema de mostra na plataforma Itaú Cultural Play

 
      Leila Diniz e Ana Maria Magalhães em cena do documentário Já que ninguém me tira para dançar (Crédito: Divulgação)

 
A partir de amanhã, a Itaú Cultural Play faz uma homenagem à atriz e cineasta carioca Ana Maria Magalhães. Cinco produções realizadas por ela, entre 1976 e 2009, passam a integrar a grade da plataforma, que já conta em seu catálogo com Já que ninguém me tira pra dançar (2021), documentário sobre a atriz Leila Diniz. A mostra estreia Mulheres de Cinema, uma nova cópia remasterizada do filme sobre o papel da mulher no cinema e na sociedade brasileira, a obra de ficção Lara, inspirada na história da atriz Odete Lara, e o documentário  Reidy, a construção da utopia, uma homenagem ao legado do arquiteto urbanista Affonso Eduardo Reidy. Dois curtas-metragens da década de 1980 completam a programação: Assaltaram a gramática e Spray Jet
 
Com quase sessenta anos dedicados ao cinema no Brasil, a diretora vem construindo uma filmografia coerente, celebrada pela crítica e pelo público, na qual a busca por uma expressão própria se combina ao retrato de personagens femininas e aos dramas que regem a arte e a vida. Ela fez o seu primeiro trabalho aos 15 anos, em uma pequena participação no filme francês Arrastão (1965). Com direção de Antoine D’Omesson, o longa-metragem é baseado na obra Tristão e Isolda, a lendária história sobre o trágico amor entre o cavaleiro Tristão, originário da Cornualha, e a princesa irlandesa Isolda. De origem medieval, a lenda foi contada e recontada em muitas diferentes versões ao longo dos séculos 
 
Após ter convivido com personalidades do teatro, como o diretor Zé Celso Martinez Corrêa, e ter participado de outras produções, como Todas as Mulheres do Mundo (1966), de Domingos de Oliveira, e Garota de Ipanema (1967), do diretor Leon Hirszman, Ana Maria foi convidada para protagonizar O Diabo Mora no Sangue (1967), longa-metragem do diretor Cecil Thiré. 
 
Ana, que ainda protagonizou ao lado de Tarcísio Meira em A Idade da Terra (1980), do diretor Glauber Rocha, estreou como diretora quatro anos antes desse sucesso do cinema brasileiro, com Mulheres de Cinema, em 1976. 
 
Em meados de 1974, época em que a censura tomava conta do cinema no Brasil e os produtores investiam principalmente em comédias eróticas, Ana se questionou sobre qual seria o papel das atrizes naquele momento no país. Influenciada por Humberto Mauro, um dos cineastas mais importantes da década de 1930, ela iniciou esse seu primeiro projeto como cineasta.
 
A versão remasterizada de Mulheres de Cinema ficará disponível com exclusividade na Itaú Cultural Play. A produção costura um rico acervo de imagens a partir de um olhar provocador e sensível sobre o papel da mulher no cinema e na sociedade brasileira. As atrizes Eva Nil e Eliana Macedo, as cineastas e produtoras Carmen Santos e Gilda de Abreu são algumas das personagens retratadas e que participaram ativamente na construção da cinematografia brasileira.
 
Outra obra de destaque na mostra, Já que ninguém me tira pra dançar, concluído em 2021 e disponível na plataforma desde 2022, é o único documentário longa-metragem feito sobre Leila Diniz (1945-1972), morta em um acidente de avião. A obra mescla imagens de filmes, fotos e cenas ficcionais vividas por Leila e reafirma porque ela se tornou um ícone brasileiro. 
  
O documentário teve sua pré-estreia na Itaú Cultural Play em janeiro de 2022 e foi exibido nos principais festivais de cinema dentro e fora do país. No mesmo ano, foi eleito o melhor pelo voto popular no Inffinito Film Festival, nos Estados Unidos, e também exibido no IL Cinema Ritrovato, na Itália, um festival dedicado à história do cinema. A mostra exibe produções clássicas, retrospectivas e apresenta os mais recentes filmes restaurados de laboratórios e arquivos de todo o mundo. 
  
A programação da plataforma traz, ainda, Reidy, a construção da utopia. O documentário de 2009 mostra a trajetória de Affonso Eduardo Reidy, um dos pioneiros da arquitetura moderna do Rio de Janeiro. Ele foi responsável por projetos urbanísticos importantes na cidade, como o Museu de Arte Moderna e o Aterro do Flamengo.  
 
O documentário revela que Reidy sonhava com uma arquitetura pura e simples em suas formas, mas integrada à natureza e comprometida com questões sociais e habitacionais. 
 
Na obra ficcional Lara (2002), também exibido nessa mostra, a diretora conta a história da atriz Odete Lara, acompanhando sua trajetória, amores, dramas e a luta pela liberdade de seu corpo. O longa-metragem tem a participação especial de Zé Celso. A atriz Christiane Fernandes faz o papel de Lara.  
 
Em Assaltaram a gramática (1984), a realizadora mostra a história de quatro poetas que têm seus perfis traçados por meio de poemas apresentados de forma ficcional e performática. Com trilha sonora gravada especialmente para o filme por Lulu Santos e pelo grupo Paralamas do Sucesso, produção foi premiada no Festival do Rio de Janeiro, em 1984. “É um filme considerado jovem até hoje, mesmo sendo da década de 1980. Eu consegui mostrar essa linguagem audiovisual que atraia os jovens, mesmo antes do videoclipe se popularizar por aqui”, conta cheia de orgulho.  
 
Lançado no ano seguinte, Spray Jet (1985) é outro curta-metragem que tem a juventude como protagonismo. A obra revela o olhar de umageração que questionou os rumos da arte e levou o grafite para outros contextos, para além da rua. “A ideia inicial seria fazer um filme sobre o rock, mas eu mudei e me interessei pelas histórias dos artistas visuais Leonilson, Leda Catunda e Ciro Cozzolino, que falaram sobre o renascimento da pintura, arte conceitual e o grafite”, recorda a diretora. 
 
Spray Jet circulou amplamente em festivais internacionais, entre eles: o canadense International Festival of Women’s Films and Videos, Montreal (1986); e na mostra francesa Le Cinéma Brésilien, Centre Georges Pompidou, Paris (1987). 
  
Com mais de 500 títulos disponíveis de todas as regiões do Brasil e gratuita, a plataforma voltada com exclusividade para o audiovisual brasileiro, pode ser acessada pelo site www.itauculturalplay.com.br ou pelo App nos dispositivos móveis Android e IOS.   
 
SERVIÇO:  
Itaú Cultural Play 
Em www.itauculturalplay.com.br 
A partir do dia 17 de março 
Mostra Ana Maria Magalhães, uma homenagem 
 
Mulheres de cinema (1976)
Duração: 38 minutos
Classificação indicativa: Livre  
Já que ninguém me tira pra dançar (2021)
Duração: 91 minutos
Classificação indicativa: 16 anos (conteúdo sexual, nudez e violência)
*Já disponível no catálogo  
Reidy, a construção da utopia(2009)
Duração: 77 minutos
Classificação indicativa: Livre 
Lara (2002)
Duração: 103 minutos
Classificação indicativa: 16 anos (sexo e conflitos psicológicos intensos) 
Assaltaram a gramática (1984)
Duração: 13 minutos
Classificação indicativa: 12 anos (drogas lícitas e linguagem chula)

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