09/06/2026

Brasília consagra o cinema queer pernambucano premiando "Salomé"

Salomé, filme do pernambucano André Antônio, foi o grande vencedor da 57ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conquistando oito Candangos, entre eles os de Melhor Longa pelos Júris Oficial e Popular, o de Melhor Atriz Coadjuvante para Renata Carvalho, Melhor Roteiro, Direção de Arte e Trilha Sonora. Foi a consagração do cinema queer, de gênero e com toque fantástico. A nota negativa da noite ficou por conta do subsecretário de cultura do DF, que errou o nome do filme premiado, chamando o drama mineiro Suçuarana, e não Salomé, corrigindo-se depois, sem evitar constrangimento.

Suçuarana, dos mineiros Clarissa Campolina e Sérgio Borges, arrebatou cinco troféus, incluindo os de Melhor Atriz para Sinara Teles e Ator Coadjuvante para Carlos Francisco, além dos prêmios técnicos de Fotografia, Edição de Som e Montagem.

A Melhor Direção ficou para o quarteto Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna pelo documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá; o brasiliense Wellington Abreu venceu Melhor Ator por Pacto da Viola (DF); e Ruy Guerra recebeu uma menção honrosa do júri (foto ao lado) por A Fúria, conclusão da trilogia iniciada em Os Fuzis (1964). Foi muito pouco para uma obra impactante e bem-realizada, que marca a volta ao cinema do cineasta de 93 anos, que dividiu a direção com Luciana Mazzotti. O filme venceu ainda o Troféu Saruê, concedido pelo jornal Correio Braziliense ae melhor momento do festival.

Curtas

Na categoria curtas, o Júri Popular premiou Javyju – Bom Dia (SP), de Kunha Rete e Carlos Eduardo Magalhães (SP), e o Júri Oficial escolheu Mar de Dentro (PE), filme de Lia Letícia. A artista pernambucana também levou Melhor Direção.

E Seu Corpo é Belo, produção carioca de Yuri Costa, saiu com três Candangos da cerimônia: Melhor Ator para João Pedro Oliveira, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som. Carlandréia Ribeiro, atriz mineira, venceu Melhor Atriz por Mãe do Ouro (MG), de Maick Hannder, filme que arrebatou também Melhor Fotografia. A Melhor Trilha foi para a original de Kabuki (SC), de Tiago Minamisawa. 

Nicolau, artista trans brasiliense, conquistou o prêmio de Melhor Roteiro por Descamar (DF). A consagrada Cristina Amaral saiu vencedora pela Montagem de Confluências (DF), de Dácia Ibiapina. O curta carioca Dois Nilos, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro, foi motivo de menção honrosa por parte do Júri. 

A mostra competitiva paralela Caleidoscópio compôs júri próprio para distribuir dois prêmios entre os cinco filmes exibidos. Como Melhor Filme, o júri premiou Filhas da Noite (PE), de Henrique Arruda e Sylara Silvério; e como Prêmio Especial do Júri Topo (SP), de Eugenio Puppo, saiu vencedor. 

O Candango de Melhor Filme de Temática Afirmativa do Festival, concedido pelo Conselho Distrital de Promoção da Igualdade Racial – Codipir, foi para a cineasta piauiense radicada em Brasília Dácia Ibiapina, pelo curta Confluências.

Já o Prêmio Zózimo Bulbul, concedido pelo Centro Afrocarioca de Cinema e a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN, sagrou vencedores, de forma inédita, dois curtas-metragens e não um curta e um longa. Dois Nilos (RJ), de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro, e Mar de Dentro (PE), de Lia Letícia, levaram os prêmios Zózimo, concedido ao filmes que melhor trabalham pautas raciais no contexto das exibições competitivas. 

Demais prêmios 

O júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Abraccine, sagrou em seu prêmio próprio os filmes Salomé como Melhor Longa e Kabuki como Melhor Curta. O Prêmio Marco Antônio Guimarães foi concedido ao filme Barreto, Fotógrafo das Lentes Nuas, de Miguel Freire, reconhecimento pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – CPCB ao filme que melhor trabalha memória e arquivo do cinema brasileiro. 

O Prêmio Canal Brasil de curtas, no valor de R$ 15 mil para o Melhor Curta eleito por júri próprio laureou Kabuki (SC), de Tiago Minamisawa. O Canal Like ofereceu ao Melhor Longa pelo Júri Oficial um apoio de mídia e publicidade no canal, no valor de R$ 50 mil. 

Abaixo, a lista dos principais prêmios

Prêmios da Mostra Competitiva Nacional – Longas-metragens  

Longa-metragem pelo Júri Oficial 

Salomé (PE), de André Antônio  

Longa-metragem pelo Júri Popular

Salomé (PE), de André Antônio  

Direção

Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna por Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá (MG)

Ator

Wellington Abreu por Pacto da Viola (DF)  

Atriz

Sinara Teles por Suçuarana(MG) 

Ator Coadjuvante

Carlos Francisco por Suçuarana (MG) 

Atriz Coadjuvante

Renata Carvalho por Salomé (PE) 

Roteiro

André Antônio por Salomé (PE)  

Fotografia

Ivo Lopes Araújo por Suçuarana (MG)  

Direção de Arte

Maíra Mesquita por Salomé (PE)  

Trilha Sonora

Mateus Alves e Piero Bianchi por Salomé (PE) 

Edição de Som

Pablo Lamar por Suçuarana (MG)  

Montagem

Luiz Pretti por Suçuarana (MG) 

Prêmio Especial do Júri

Ao cineasta Ruy Guerra, diretor de A Fúria (RJ)  

Prêmios da Mostra Competitiva Nacional – Curtas-metragens  

Curta-metragem pelo Júri Oficial

Mar de Dentro (PE), de Lia Letícia 

Curta-metragem pelo Júri Popular

Javyju – Bom Dia (SP), de Kunha Rete e Carlos Eduardo Magalhães 

Direção

Lia Letícia por Mar de Dentro (PE) 

Ator

João Pedro Oliveira por E Seu Corpo é Belo (RJ) 

Atriz

Carlandréia Ribeiro por Mãe do Ouro (MG)  

Roteiro

Nicolau por Descamar (DF)  

Fotografia

Fernanda de Sena por Mãe do Ouro (MG) 

Direção de Arte

Caroline Meirelles por E Seu Corpo é Belo (RJ) 

Montagem

Cristina Amaral por Confluências (DF) 

Trilha Sonora

Ruben Feffer e Gustavo Kurlat por Kabuki (SC) 

Edição de Som

Kiko Ferraz e Ricardo Costa por E Seu Corpo é Belo (RJ)

Menção Honrosa do Júri

Dois Nilos (RJ), de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro 

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