De 13 a 17 de agosto, o Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, em Brasília, vai acolher a quinta edição de um festival único no Brasil, Cinema Urbana - Mostra Internacional de Cinema de Arquitetura. A programação inclui exibições, oficinas, palestras, lançamentos de livros, sessões infantis, mediações, sempre com entrada franca.
A abertura especial acontecerá no Cinesystem Caixa do Casa Park, no dia 13 de agosto, às 18h30, com a primeira exibição no Brasil de Architecton, novo filme do premiado realizador russo Viktor Kossakovsky. No documentário,, que competiu pelo Urso de Ouro em Berlim em 2024, o diretor compõe uma notável reflexão em torno da construção e destruição dos ambientes no mundo, num filme muito imagético.
Vê-se, por longo tempo sem legendas ou explicações, imagens de cidades devastadas pela guerra da Ucrânia e terremotos na Turquia, montanhas sendo destruídas pela mineração e também monumentos milenares, de pé, no Líbano e na Itália - numa clara intenção de deixar para o espectador pensar sobre o que está vendo. Depois, entra a participação do arquiteto italiano Michele De Lucchi, que abre um caminho para precisas reflexões sobre a duração e a fragilidade de prédios e dos materiais - chamando a atenção para a possibilidade da beleza.
A curadoria tem a assinatura da diretora geral da Mostra, a arquiteta, urbanista e pesquisadora Liz Sandoval, de Sofia Mourato, curadora portuguesa de um dos festivais europeus pioneiros no tema da arquitetura e de André Costa, arquiteto e professor.
Première mundial
Outro destaque na programação é O Primeiro Siza, produção portuguesa assinada por Sara Nunes. O documentário aborda o impacto sobre a vida dos moradores e sobre a paisagem causado pelo projeto ‘Quatro Casas em Matosinhos’, o primeiro do grande arquiteto Álvaro Siza, concebido quando ele ainda era estudante.
Parcerias com o Festival de Cinema Árabe Feminino e com a Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas vão possibilitar a apresentação de títulos como Uma Pedra Atirada, coprodução Canadá/Palestina/Líbano, assinada por Razan AlSalah, que aborda a colonização sionista da Palestina; e Lembrem disso, minhas Iambré, filme da Rede Katahirine, dirigido por GãhTé e Bruno Huyer, que entrelaça o tempo dos antigos e a luta contemporânea de retomada de um território kaingang no Morro Santana em Porto Alegre/RS.
Ao todo, Cinema Urbana apresentará 48 filmes, entre curtas e longas, distribuídos em sessões especiais e 12 programas temáticos: O Gesto como Paisagem, Paisagem Ribeirinha, Paisagens de Restauração, Paisagens Experimentais, Paisagens do Exílio, Paisagens do Cerrado, Paisagens Vulneráveis, A Casa como Paisagem, Paisagens Planejadas 01 e Paisagens Planejadas 02, Paisagens de Resistência e Paisagens Habitadas.
O público poderá votar no Melhor Filme do Júri Popular e um júri especial escolherá os vencedores de Melhor Filme e Prêmio Athos Bulcão de Melhor Filme de Brasília. Integram o júri Marcela Borela, realizadora audiovisual, pesquisadora, professora e curadora; Ivan Contreras ex-diretor do Festival Internacional de Cine y Video Indígena “Mirando desde nuestra raíz” (FICVI), membro fundador da Red Mexicana de Festivales Cinematográficos (RedMexFest) e diretor e programador do CINETEKTON! Festival Internacional de Cinema e Arquitetura do México; e Fábio Rodrigues, curador e programador do Cinema do Dragão, em Fortaleza/CE, um dos espaços de referência na difusão do cinema de autor no Brasil.
Outras atividades
No dia 14 de agosto, às 19h, haverá palestra com o arquiteto, pesquisador e educador Paulo Tavares, cuja prática entrelaça arquitetura, culturas visuais e justiça espacial. Premiado com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza em 2023, pelo projeto Terra, com Gabriela de Matos, Paulo Tavares tem projetos apresentados em instituições como a Trienal de Arquitetura de Oslo, Bienal de Design de Istambul, Bienal de Arte de São Paulo e Bienal de Arquitetura de Veneza 2023.
Reunindo autores e obras que dialogam com os temas centrais da mostra – cidade, memória, meio ambiente, diversidade cultural e imaginação urbana – o festival acolherá o lançamento de livros como “Iniciação à Dendrolatria”, do poeta e ativista ecológico Nicolas Behr; “O Sol Só Vem Depois”, do arquiteto e fotógrafo José Roberto Bassul; três volumes da série "Várzeas Urbanas: habitar paisagens de várzeas"que exploram a simbologia, as práticas e as cartografias desses territórios urbanos geralmente marginalizados; o livro do 2º Seminário TOPOS, organizado pela FAU-UnB, sobre a importância dos acervos de arquitetura e urbanismo como memória viva das cidades e da construção de saberes técnicos e culturais sobre o espaço urbano; e “Mulheres Indígenas e a Diversidade Cultural Brasileira”, fruto de parceria entre o Ministério das Mulheres e o Laboratório LAB Mulheres da Universidade de Brasília.
SERVIÇO
Data: 13 a 17 de agosto
Local: Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul e Casa Park
Site bilíngue: https://www.cinemaurbana.com/
Dúvidas e informações: [email protected]
