Nesta sexta-feira (26), às 19h30, a Cinemateca Brasileira realiza uma sessão do filme Ladrões de cinema, de Fernando Coni Campos (1977), em cópia digital feita no Laboratório de Imagem e Som da própria Cinemateca.
A sessão será seguida de um debate que reunirá Francis Vogner dos Reis e Eugênio Bucci, sob mediação Carlos Augusto Calil, curador do programa. O debate terá Libras e será transmitido no YouTube da Cinemateca Brasileira.
Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos uma hora antes da sessão.
Contexto do filme
Como lembra Carlos Augusto Calil, em material de divulgação, desde o lançamento do filme, o crítico Jean-Claude Bernardet promoveu-o, contribuindo para que se tornasse cult, especialmente pela originalidade de seu argumento. No final dos anos 1970, o crítico estava formulando o conceito de “espaço legal” para delimitar o campo de atuação do cinema brasileiro sob a tolerância desconfiada do governo da ditadura militar que o subsidiava, através da Embrafilme. Naquele tempo, as lideranças do cinema estavam empenhadas em conquistar o público e foi Gustavo Dahl quem deu a senha: “Mercado é cultura”, título de um artigo publicado na revista Cultura do MEC.
Esse posicionamento ideológico dividiu os cineastas em dois grupos: os praticantes do chamado “Cinemão”, que obtinham orçamentos generosos e lançamentos comerciais de grande visibilidade por parte da Embrafilme, empresa estatal de fomento e distribuição do cinema, e os os partidários do “cinema de invenção”, defensores de uma linguagem mais experimental, ou mesmo anticomercial. Estes recebiam recursos modestos para a produção e comercialização de suas obras. Enquanto Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, a maior bilheteria do cinema brasileiro, alinhava-se de um lado, Ladrões de cinema perfilava-se do outro.
Para um crítico de esquerda, a proposta de Ladrões de cinema não podia passar em branco. Enquanto nas outras obras politicamente empenhadas os cineastas falavam em nome do povo, Ladrões... discutia “a propriedade dos meios de produção cultural” e ao fazê-lo discutia “o poder cultural decorrente da posse dos meios de produção”.
No polo oposto ao do filme, no qual Bernardet faz uma ponta, o crítico reconhecia a reivindicação de Arnaldo Jabor: “A cultura brasileira tem de ser preservada, porque nós, os intelectuais e criadores do cinema, formamos a consciência nacional, nós somos a nação. Uma nação é o que o seu povo pensa” (1975).
Numa conciliação improvável, Jabor tornou-se o outro grande admirador do filme. Dez anos depois, decidido a dirigir uma nova versão de Ladrões de cinema, ele procurou Coni e juntos escreveram um roteiro que acabou por não ser produzido.
Os parceiros não podiam ser mais estranhos. No livro póstumo Cinema, sonho e lucidez, de Coni, assim Jabor se referiu ao autor: “O Fernando era o seguinte: era meio sem utilidade pública. Ele era bom. Não pecava. Só pecava por omissão na guerra pós-moderna.”
Serviço
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Horário de funcionamento
Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h
Salas de cinema: conforme a grade de programação.
Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)
Sala Oscarito (104 lugares)
Área externa (300 lugares)
Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão
