21/07/2026

Nova mostra da IC Play evidencia a presença indígena no cinema brasileiro atual

A partir de amanhã (03), a plataforma de streaming dedicada ao cinema brasileiro, Itaú Cultural Play (IC Play), estreia a mostra Fabular Futuros. A seleção reafirma a diversidade e a presença dos povos originários no audiovisual, trazendo filmes dirigidos e produzidos por cineastas indígenas cujos trabalhos transitam entre ficção e documentário para projetar perspectivas decoloniais, ancestrais e imaginárias.

Ao todo são cinco curtas-metragens, lançados entre 2023 e 2025. As narrativas estão ancoradas na realidade, na memória e em visões futuristas sob a perspectivas de diferentes povos brasileiros, como o Maué (Amazonas), Guarani (São Paulo) e Huin Kuî (Acre). Assim, o conjunto revela lógicas não conhecidas para o entendimento do passado, presente e futuro, bem como na produção de linguagem audiovisual. 

E, no mesmo dia, retornam à IC Play outras três obras do cinema indígena: Bimi Shu Ikaya – Bimi com o poder de sopro (2018), sobre a primeira aldeia organizada por uma mulher no Acre;  Mãri hi (2023), curta-metragem premiado no festival É Tudo Verdade de 2023, sobre a cosmovisão dos Yanomami em Roraima; e Rami Rami Kirani (2023), que ressalta o papel feminino das mulheres Huni Kuin, no Acre, na preservação de suas tradições.

Origem da noite (Amazonas, 20 min, 2025), de Maickson Pavu Serrão, parte de um mito do povo Maué para narrar o surgimento da noite, quando um jovem é escolhido para recuperar algo que foi ocultado na floresta. Em animação, o filme traduz elementos da tradição oral em uma construção visual em diálogo com imaginários de origem.

Com direção de NatoRê e Mawa Pey, Mistérios do Nixipae (Acre, 25 min, 2023) aborda a origem da ayahuasca a partir da cosmovisão Huni Kuî. Conduzido pelo líder Isaka Ruy, o filme combina registros e fabulação para apresentar essa narrativa, reconhecida com prêmios de júri popular no 17º Festival do Cinema Brasileiro do Circuito Penedo de Cinema, em Alagoas, e de Melhor Produção e Honra ao Mérito no III Festival CineMAZ, em Varginha (MG).

Na videoarte KARAIW A’E WÀ (Rio de Janeiro, 24 min, 2022), Zahy Tentehar e Candombá utilizam o conceito de futurismo indígena para questionar noções do que se convencionou chamar de civilização e confrontar imagens construídas historicamente sobre os povos originários. Premiado em festivais como o Circuito Penedo de Cinema e o CineMAZ, o trabalho reforça o potencial crítico dessas abordagens. 

Dirigido por Carlos Eduardo Magalhães e Kunha Rete, Javyju - bom dia (São Paulo, 25 min, 2024) imagina um futuro após a destruição da Terra, em que a aldeia Guarani do Jaraguá resiste. A partir de um sonho, três jovens são convocados a atravessar a cidade de São Paulo, em um percurso que articula espiritualidade e sobrevivência. Em Castanho (Amazonas, 19 min 50 s, 2023), Adanilo acompanha o cotidiano de uma mulher argentina em uma comunidade amazônica, explorando relações e deslocamentos que sugerem uma rotina dividida. O filme se aproxima das personagens para construir um retrato marcado por ambiguidades e tensões discretas.

Entre os títulos que retornam ao catálogo, Bimi Shu Ikaya – Bimi com o poder de sopro (Acre, 52 min, 2018), de Isaka Huni Kuin, Siã Huni Kuin e Zezinho Yube, acompanha a trajetória de uma liderança feminina que rompe estruturas ao assumir funções como pajé. O documentário observa o cotidiano e os rituais, destacando o papel das mulheres na preservação dos saberes. A diretora Morzaniel ?ramari investiga, em Mãri hi – A árvore do sonho (Roraima, 17 min, 2023), o universo dos sonhos dos Yanomami a partir do relato de um xamã. Premiado no É Tudo Verdade, o filme propõe uma imersão sensorial que articula diferentes experiências oníricas dentro da comunidade. 

Por fim, Rami Rami Kirani (Acre, 43 min, 2023), de Lira Mawapai Huni Kuin e Luciana Txirá Huni Kuin, registra o processo do ritual do Nixi Pae sob a perspectiva feminina. Resultado de um trabalho coletivo, o documentário acompanha desde a preparação até a realização da cerimônia, evidenciando transformações no papel das mulheres dentro da prática.

O acesso à Itaú Cultural Play pode ser feito em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e via Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

 

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