O ator norte-americano Jim Parsons, conhecido por interpretar Sheldon Cooper em 12 temporadas em The Big Bang Theory, afirmou em entrevista ao apresentador Jon Dean que vive uma fase de maior equilíbrio pessoal após anos de intensa pressão profissional. Em conversa com o apresentador, realizada nos bastidores da peça Titanique, em Nova York, Parsons refletiu sobre fama, carreira, sexualidade, envelhecimento e saúde mental.
Durante a conversa, o ator revelou que os primeiros anos do sucesso da sitcom coincidiram com um período de sofrimento emocional. Segundo ele, embora estivesse vivendo alguns dos melhores momentos de sua carreira, sentia-se constantemente pressionado. "Eu era infeliz. Estava estressado. Sentia que precisava manter muitos pratos girando ao mesmo tempo", afirmou.
Parsons disse que acreditava que o sucesso só era possível por meio de uma disciplina extrema e de um ritmo de trabalho exaustivo. Hoje, porém, avalia que esse comportamento tinha características obsessivas. "Eu não faria isso de novo por dinheiro nenhum. Era estressante e me sentia péssimo em alguns momentos."
O ator contou que, ao olhar para trás, percebe que sua dedicação excessiva ao trabalho também o afastou de experiências pessoais importantes.
Relação com a fama
Parsons reconheceu que ainda está aprendendo a lidar com o reconhecimento público conquistado pela série. Aos 33 anos quando o programa estreou, ele já tinha uma longa trajetória no teatro e diz que nunca se acostumou completamente ao fato de ser recebido com aplausos simplesmente por entrar em cena.
Segundo o ator, uma das dificuldades é perceber que muitas pessoas continuam associando sua imagem a Sheldon Cooper, personagem que deixou de interpretar há mais de sete anos.
"É uma sensação estranha saber que as pessoas me conhecem quando entro numa sala e eu não conheço nenhuma delas", disse. "Muitas me conhecem apenas como um personagem que eu nem interpreto mais."
Parsons também admitiu sentir um desconforto ocasional com o envelhecimento, especialmente porque parte do público mantém a imagem que tinha dele durante o auge da série.
Sexualidade e processo de aceitação
Ao longo da entrevista, o ator falou abertamente sobre o impacto de ser gay em sua trajetória pessoal e profissional. Parsons afirmou que durante muitos anos tentou separar sua sexualidade de sua identidade pública, mas que hoje vê essa questão de forma diferente.
"Somente nos últimos anos permiti a mim mesmo perceber o quanto ser gay moldou quem eu sou e toda a minha vida", afirmou.
Ele relembrou que assumiu publicamente sua orientação sexual aos 38 anos, quando uma entrevista ao The New York Times mencionou de forma casual que ele era um homem gay. Segundo Parsons, o episódio lhe trouxe uma sensação de empoderamento. "Senti uma força extra para responder a qualquer negatividade sobre pessoas gays", disse.
O ator também revelou que, quando jovem, o contexto da epidemia de AIDS foi motivo de medo. Ele afirmou que, aos 12 anos, via as reportagens sobre pessoas doentes e associava aquela realidade à própria descoberta de sua sexualidade. "Parecia que ficar doente era o destino de quem era gay", recordou.
Terapia e saúde mental
Parsons contou que iniciou terapia apenas aos 49 ou 50 anos e descreveu o processo como transformador. O ator revelou ter enfrentado episódios severos de ansiedade social e, após orientação médica, passou a utilizar uma dose baixa de Prozac.
Segundo ele, a medicação reduziu significativamente os pensamentos acelerados que carregava havia décadas. "Percebi que muitos dos ruídos e vibrações que eu achava que o mundo produzia estavam apenas dentro da minha cabeça", afirmou.
Relacionamento com o marido
Casado com o produtor Todd Spiewak, Parsons definiu-se como alguém "sortudo no amor". O casal se conheceu em um encontro às cegas promovido por amigos, antes de o ator se tornar um fenômeno mundial da televisão.
Para Parsons, o fato de o relacionamento ter começado antes da fama foi fundamental. Ele destacou que hoje seria praticamente impossível viver a mesma experiência de conhecer alguém sem o peso do reconhecimento público. "Conhecer uma pessoa quando nenhum dos dois sabe nada sobre o outro foi algo muito especial", afirmou.
A morte do pai e a decisão de encerrar a série
Outro momento marcante da entrevista foi a lembrança da morte de seu pai, que faleceu aos 52 anos em um acidente de carro. Hoje com 53 anos, Parsons brinca que vive um "tempo extra".
O ator revelou que a perda influenciou diretamente sua decisão de deixar The Big Bang Theory. Quando decidiu encerrar sua participação na série, refletiu sobre a idade em que o pai morreu e sobre a necessidade de explorar novos caminhos. "Se me dissessem que eu tinha apenas mais seis anos de vida, eu não faria outra temporada da série. Eu precisava continuar descobrindo coisas novas", afirmou.
Nova fase no teatro
Atualmente em cartaz com Titanique, uma versão cômica inspirada na história do filme Titanic, Parsons disse que escolhe seus projetos principalmente pelo prazer artístico e não por objetivos de carreira.
"Não tenho mais nada a provar profissionalmente. Se não for divertido, simplesmente não faço", declarou.
Ao refletir sobre sua trajetória, o ator afirmou acreditar que as pessoas estão sempre exatamente onde deveriam estar em cada momento da vida. Apesar de reconhecer o papel da sorte em seu sucesso, Parsons disse sentir que sempre seguiu uma espécie de "estrela-guia" nas decisões profissionais.
Aos 53 anos, o ator afirma que continua descobrindo novas facetas de si mesmo e que, após décadas de carreira, sua principal motivação passou a ser a busca pela experiência e pela alegria de atuar.
Veka a entrevista no canal de Jon Dean no YouTube
