O filme de Toni Venturi venceu cinco troféus: Especial do Júri, melhor atriz (Débora Duboc), melhor ator (Leonardo Medeiros), direção de arte (Chico Andrades) e trilha sonora (Fernanda Porto). Quase Dois Irmãos ficou com quatro: melhor roteiro (Lúcia Murat e Paulo Lins), melhor ator coadjuvante (Babu Santana), melhor atriz coadjuvante (Maria Flor) e melhor edição de som (Simone Petrillo).
Vencedor do prêmio principal, Estamira acumulou ainda o de melhor fotografia (Marcos Prado, também diretor). A premiação acende a esperança de que o filme possa circular mais e quem sabe obter um distribuidor, o que ainda não aconteceu, apesar deste documentário já ter sido premiado no Festival do Rio BR 2003 e na Mostra BR de São Paulo, em 2004. Aparentemente, a dureza do tema – a vida miserável de uma mulher que vive de um lixão – vem espantando os distribuidores, o que é uma lástima, dadas as qualidades do filme.
Outro premiado com dois troféus foi o documentário Do Luto à Luta, de Evaldo Mocarzel (melhor direção e melhor montagem, esta para Marcelo Moraes).
Na categoria curtas e vídeos, que teve uma das melhores seleções entre os festivais nacionais este ano, venceu como melhor o curta O Mundo é uma Cabeça, de Bidu Queiroz e Cláudio Barros (PE), lembrando a figura máxima do mangue beat, Chico Science, falecido num acidente de carro há 8 anos. O melhor vídeo foi Enquanto Chove, de Alberto Bittar e Paulo Almeida (PA), um belo ensaio poético dos acontecimentos numa cidade durante a chuva.
Dois prêmios foram atribuídos ao curta gaúcho Intimidade, de Camila Gonzatto, que venceu a melhor direção e melhor atriz para a estreante em cinema Carolina Dariano. O curta Mamãe tá na Geladeira (DF) venceu melhor direção de arte (Eugênia Maakaroun) e trilha sonora (Liliana Gayoso). O melhor roteiro em curta coube ao paulista Flávio Frederico, por Red, uma sinistra releitura da história do Chapeuzinho Vermelho. O melhor ator em curta foi Ruy Resende pelo filme Hoje Tem Felicidade (RS).
A melhor fotografia coube a André Lavanere, pelo curta O Último Raio de Sol (DF). A melhor montagem foi a de Eric Laurence, pelo curta Entre Paredes. E a melhor edição de som coube a Paulo Brandão e Paulo Muylaert pelo curta Asfixia.
Foi uma cerimônia de premiação curta – em uma hora, todos os troféus foram atribuídos, o que devia servir de exemplo a outros festivais, que se esmeram numa sucessão de discursos estafantes, prolongando desnecessariamente as cerimônias. Não foi o único mérito do festival paraense. Entrando em sua segunda edição, atraiu cerca de 50.000 espectadores, superando com folga os 30.000 do ano passado, com sessões gratuitas a partir das 14h até às 21h não só no ótimo cinema na Estação das Docas, a bela zona portuária renovada de Belém, como em outros espaços alternativos na cidade, e mesmo em cidades próximas – o que cumpre não só a tarefa de levar o cinema nacional a mais lugares como contribui para a inclusão social, também pela via das oficinas profissionais do evento (montagem, pós-produção e iniciação aos audiovisuais, cinema, teatro e vídeo).
