Além disso, o National Film Board of Canada e a Agência Nacional de Cinema (Ancine) assinaram um acordo de cooperação audiovisual entre os dois países, o que deve favorecer as co-produções binacionais. Espera-se que as duas medidas propiciem uma chance inédita para a circulação dos produtos brasileiros fora do País.
O presidente da Associação Brasileira do Cinema de Animação, Andrés Lieban, destacou que o setor já vem demonstrando sua criatividade há muito tempo, em curtas-metragens e na publicidade, especialmente. O desafio, agora é encontrar um mercado para a produção, o que deverá ser acelerado pelo mecanismo da co-produção. O mercado que se tem em vista, no caso, é para a TV, antes do cinema. No Brasil, Lieban reconhece que só a TV pública abre espaço para a animação nacional. A TV privada, além de não abrir espaço, rejeita a idéia de ser co-produtora, com medo dos riscos, ainda mais considerando o alto custo deste tipo de produção. Lieban acredita que até mesmo a atitude da TV privada no Brasil possa mudar a partir do momento que se crie a possibilidade de adquirir o filme já pronto.
O Canadá é um parceiro vantajoso neste campo já que é também um fornecedor de tecnologia. Segundo a revista Wired, 80 a 90% das produções de animação em todo o mundo utilizam softwares canadenses. O país também acumula prêmios, como o Oscar 2005 pelo curta de animação Ryan, de Chris Landreth.
Entre os preparativos em curso para a participação brasileira em Ottawa/2006, está sendo montado um banco de dados online, supervisionado pela PUC-RJ, onde se pretende acumular informações sobre a produção nacional nesta área. Já existem dados sobre 700 títulos. Além disso, prepara-se um censo voluntários dos animadores.
A PUC-RJ é uma das instituições de formação de animação, mantendo um curso de pós-graduação. A Universidade Federal de Minas Gerais, por sua vez, mantém um curso de bacharelado. Mas, segundo Lieban, há diversos cursos não-acadêmicos espalhados pelo País.
Para o presidente da ABCA, as novas possibilidades neste campo poderão no futuro permitir que o Brasil não exporte seus talentos, como foi o caso de Carlos Saldanha, carioca radicado nos EUA, co-diretor de A Era do Gelo e Robôs.
