E ele não está sozinho quando fala isso. O cantor e compositor Caetano Veloso acha que o preconceito contra esse tipo de música – e conseqüentemente o filme – é reflexo da mentalidade das pessoas que não aceitam o progresso e sucesso cultural do Brasil. “Esse tipo de música e o filme são uma demonstração de vitalidade. A expressão artística mais de dentro do Brasil que já existiu”, explica o baiano, que é responsável pelas canções do filme ao lado de Zezé. “Um filme como esse se impõe por si só”, alega.
Mas Zezé confessou, durante a coletiva de lançamento do filme em São Paulo, que trazer Caetano para um projeto como esse é também colocar um selo de qualidade que ajuda a levar 2 Filhos de Francisco para um público que esnobaria o filme. O cantor sertanejo revela que esse é o maior projeto da dupla desde “É o Amor”, a música que os transformou num sucesso nacional.
Baseado na vida da dupla, desde a infância difícil em Goiás até o sucesso no início dos anos 90, o longa tem como figura central Francisco Camargo, interpretado por Ângelo Antonio, que é um misto de sonhador e obstinado em transformar seus filhos em cantores de sucesso. Para compor seu personagem, o ator passou uma temporada junto como seu Francisco da vida real. “Tentei captar o máximo de coisas do jeito dele”, explica. Zezé confirma que a princípio seu pai estranhou muito a presença de Antonio e ele fazendo tantas perguntas, mas depois acabou de acostumando.
A bela Dira Paes, que interpreta a mãe dos rapazes, por sua vez optou por conhecer Dona Helena só quando estava quase terminando as filmagens. Para a atriz, o que mais a atraiu no personagem foi a dimensão universal daquela mãe. “Ela é muito mais o pé no chão, enquanto o Francisco é mais sonhador”, pondera. Mas a maior surpresa que Dira teve ao conhecer a mãe dos cantores foi que Dona Helena disse que era muito parecida com a atriz na juventude.
A semelhança física entre os atores e as pessoas reais, aliás, foi um dos pontos mais importantes na hora de fazer a escalação do elenco. “Era preciso procurar pessoas parecidas com o Zezé e o Luciano. Eles são figuras públicas e estão vivos”, explica Silveira. “Vi o Márcio Kieling numa novela, e achei muito parecido com o Zezé”, explica.
Já o processo de seleção de Dablio Moreira (que interpreta Zezé na infância, quando ainda se chamava Mirosmar) e de Marcos Henrique (que faz o irmão Emival) foi diferente. “Procuramos crianças que soubessem cantar, pois isso é muito importante para o personagens. E , além disso, gravamos o som direto da cena, com eles cantando’, explica o diretor. Ele conta também que Dablio foi muito dedicado e aprendeu a tocar sanfona e gaita para interpretar Zezé, que, aliás, é seu ídolo.
Já o carioca Thiago Mendonça (que interpreta Luciano adulto) diz que não conhecia muito a dupla, mas a experiência do filme mudou a sua visão sobre a música sertaneja. “O Luciano se tornou meu herói. Mas por mais que admire, nunca vou conseguir usar uma calça tão justa como as dele”, brinca.
