Uma mulher chamada Olive Kitteridge
A protagonista que dá título à série OLIVE KITTERIDGE é uma mulher que todos chamariam de difícil. Sem qualquer trava na língua, egoísta e mesquinha, ela seria insuportável, não fosse a tremenda dose de humanidade que a atriz (e produtora do programa) Frances McDormand traz para ela – algo que já estava presente no “romance em contos”, de Elizabeth Strout, que ganhou o Pulitzer para ficção em 2009.
Dirigido por Lisa Cholodenko, a série, em 4 episódios, acompanha alguns anos na vida de Olive, professora de matemática, numa pequena comunidade costeira. O primeiro capítulo começa com ela, com um semblante desesperado, estendendo uma toalha numa clareira, ligando um rádio de pilhas, e preparando um revólver com o qual (aparentemente) irá se matar. A trama, então, votará no tempo para contar o que aconteceu nas últimas décadas para chegar até ali.
Deixando completamente de lado, ou tocando de leve, em alguns personagens e tramas coadjuvantes do livro, a série traz Olive como o seu fio condutor, como a observadora e juíza solitária para si mesma daqueles que a cercam. O que dita o ritmo aqui é o fluxo da vida com seus altos e baixos, e momentos inesperados – por isso talvez tanto personagem morre sem muito avisar (especialmente no 1o episódio).
Frances que comprou o direito de adaptação do livro assim que saiu está (como sempre) magnífica como essa mulher (aparentemente) sem muito amor no coração, mas que, no fundo, é tão perdida na vida quanto todos os outros que a cercam.

Em PURITY, Jonathan Franzen exibe o que há de melhor e pior em sua literatura. Como já se percebera em The Corrections e Freedom, ele é obcecado em escrever The Great American Novel – mas como já disse genialmente Frank Norris: “the Great American Novel is not extinct like the dodo, but mythical like the hippogriff.” E para ele, essa criatura mítica se parece com um gigantesco romance realista do século XIX. Não à toa há sempre algo meio empoeirado em seus livros – por mais que ele situe esse no nosso presente, com vazamentos de informação na internet, denúncias e um dublê de Assange. Há momentos que beiram a genialidade – especialmente nos diálogos com frases ácidas, respostas rápidas – mas, como é comum em seus livros, falta um editor com colhões para cortar, para tirar os excessos.