06/06/2026

Diretor de "O Albergue" se diverte com escatologias

Com o suspense O Albergue, o diretor norte-americano Eli Roth, 33 anos, se tornou o mais novo queridinho da indústria de cinema. Seu filme sanguinolento não custou nem 5 milhões de dólares – um orçamento bem baixo para Hollywood – e rendeu mais de 50 milhões.

O longa, que estreou em todo país na sexta passada (14), conta a história de dois jovens norte-americanos que viajam pela Europa e acabam encontrando o que parece ser um assassino doentio, que tortura suas vítimas antes de matá-las sadicamente. Mas a verdade se mostra muito mais sórdida do que a mera ação de um serial killer.

Com seu filme, Roth elevou o sadismo no cinema a uma nova categoria, mas ele não gosta muito desse rótulo. “Os filmes dos anos 70 eram os mais sanguinolentos já feitos, como os de Sam Peckinpah e Dario Argento. Foi nos anos 80 que surgiu o politicamente correto e tiraram o sangue das telas”, diz em entrevista à Reuters quando esteve em São Paulo, no mês passado, para divulgar seu longa.

“Mas nem o politicamente correto afasta a violência dos filmes. Qualquer um da série ‘Rambo’ é violento, mas defende aquilo que chamam de valores familiares, por isso conseguiam romper a ‘censura’”, alega.

Quanto ao seu filme, Roth não o vê como um mero jorrar de sangue. “Existe um subtexto da crítica à política do presidente Bush”, garante. “Os americanos do filme pensam como o americano médio. Não conhecem o resto do mundo e se acham os melhores, até o dia em que descobrem que não podem se proteger, que o governo não tem como proteger ninguém”.

“Os Estados Unidos estão perdendo poder. Os inimigos estão matando a gente dentro de casa. Bush é o pior terrorista da história”, afirma. Mas pelos seus dois filmes (além de O Albergue ele fez Cabana do Inferno, lançado diretamente em DVD no Brasil), não se descobre facilmente essa pessoa com um discurso político tão radical.

Mas Roth mostra que conhece o seu país e seus conterrâneos. “Os americanos não viajam. Não sabem que existe o resto do mundo”, conta. Boa parte da história de O Albergue se passa na Eslováquia (embora tenha sido rodado em Praga), e o diretor diz que muita gente, depois de ver o filme, perguntava se aquele país existia mesmo.

Já o governo e o departamento de turismo da Eslováquia parecem não ter gostado muito dessa ‘notoriedade’ que o filme trouxe, retratando o lugar como um país onde os crimes mais hediondos podem acontecer. “Mas eles não podem reclamar. Garanto que o filme aumentou o turismo para o país. Ao menos em se tratando dos norte-americanos”, ironiza.

Roth e um amigo tiveram a idéia de fazer um filme sobre a chamada indústria da morte, em que as pessoas pagam para matar outras, depois de ler que na internet isso é legal na Tailândia. “Isso me deixou de estômago embrulhado. Mas era interessante pensar até onde o ser humano é capaz de chegar em busca de prazer”, afirma.

O diretor ficou um bom tempo trabalhando na idéia do roteiro de O Albergue e só teve certeza de que deveria fazer o filme quando seu amigo Quentin Tarantino se empolgou com a história. “Eu sempre ligava para ele quando chegava a um impasse no roteiro. Ele me ajudou muito”, confessa.

Entre seus próximos projetos estão O Albergue 2 e a adaptação que vai fazer do livro mais recente do escritor Stephen King, chamado Cell, sobre celulares capazes de matar pessoas. Embora só agora vá fazer um projeto grande, bancado por um estúdio, Roth não é ingênuo. “Sei que não vou ter o corte final do filme. Mas isso não importa, sei que as filmagens vão ser muito divertidas”, diz. E ele promete que “O Albergue 2” vai ser ainda mais sanguinolento.

Uma das coisas que deixou Roth animado com a pré-estréia do filme no Brasil foi que duas pessoas passaram mal durante a sessão. “Isso é o máximo, exatamente o que espero”, confessa. “O vômito é o meu aplauso”, brinca com um sorriso sinistro no canto da boca.