Domingos Oliveira comemora dupla premiação em Mar del Plata
- Por Neusa Barbosa
- 18/03/2003
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Falando por telefone do Rio de Janeiro, onde mora, em entrevista exclusiva, o diretor, ator e roteirista considera que a premiação abre possibilidades de maior circulação de seu trabalho em outros países. Aliás, está mesmo convencido de que vai "vender esse filme para o mundo todo", diante da enorme repercussão alcançada por Separações no festival argentino. "O filme foi ovacionado e apaixonou o júri. Tanto que ganhou o prêmio por unanimidade", destaca.
Para o diretor, os dois troféus tiveram uma importância especial, já que seu filme tinha concorrentes que ele foi a primeiro a considerar como "muito fortes", caso de Valentín, do argentino Alejandro Agresti - com quem Domingos faz questão de repartir simbolicamente o prêmio - e do americano Bug, de Phil Hay e Matt Manfredi.
A boa resposta de um público internacional para o que é, à primeira vista, uma comédia de costumes carioca, é para o diretor "a maior prova de sua universalidade". Ele entende que o Brasil vive um momento em que estão em alta filmes de temática social - como Cidade de Deus - e nada tem contra isso. Mas esclarece: "Acho que a hora é essa, mesmo [de fazer filmes sociais]. Mas não acredito que devemos ficar só nisso. Eu mesmo defendo a idéia de que o artista é político e me considero assim. Mas só o artista deve ser político, a arte, não".
Ele lamenta que no Brasil Separações não tenha tido maior distribuição e divulgação - mesmo assim, de acordo com levantamento feito pela semanário "Filme B", o filme, atualmente em cartaz pelo país, já ultrapassou 63.000 espectadores. Indagado sobre novos projetos, ele ironiza as dificuldades de produção: "No Brasil, nunca se sabe se se vai fazer o próximo filme".
Ainda assim, ele está trabalhando na captação de recursos para dois projetos. Um deles, chamado No Brilho da Gota de Sangue, com roteiro do próprio Domingos, é um policial noir, ambientado nos anos 40 e deve ser filmado em preto-e-branco, com Pedro Cardoso e Paulo José no elenco. A história gira em torno de um repórter bêbado que resolve desmascarar um delegado, torturador sob o regime do Estado Novo.
Outro projeto é uma comédia sobre yuppies, intitulada Largando o Escritório, e tem como ponto de partida uma das 48 peças teatrais que Domingos escreveu em sua longa carreira como dramaturgo. Filmar suas peças, aliás, é o grande sonho do diretor, já que ele julga pelo menos oito delas "muito cinematográficas". Separações, aliás, bem como seu filme anterior, Amores, tiveram origem em seus textos teatrais. Ele mesmo acredita que está aí o seu melhor lado como artista: "Acho que sou mais forte mesmo nessa fantasia em cima do autobiográfico".
Cineweb-18/3/2003
