06/06/2026

“O Menino da Porteira” retrata Brasil de raízes rurais

Ao refilmar o sucesso dos anos de 1970, O Menino da Porteira, o cineasta Jeremias Moreira disse ter estranhado muito o comportamento do gado atual. “Os bois de agora não conhecem o toque do berrante, eles têm medo”, brincou o diretor na coletiva de imprensa do lançamento do filme em São Paulo. Essa, aliás, não foi a única novidade ele encontrou nos sets. O primeiro filme tinha uma equipe de 9 pessoas e um orçamento bem baixo, enquanto a nova versão custou R$ 8 milhões e uma equipe de quase 100 profissionais.

Ao longo desses 30 anos entre um filme e outro, o cinema brasileiro sofreu (alguns) altos e (muitos) baixos e, o que é pior, perdeu muito público. Oficialmente, o primeiro O Menino da Porteira fez quatro milhões de ingressos. Oficiosamente, segundo o produtor Moracy do Val, chegou à casa dos sete milhões. Do Val e Moreira, que repetem a parceria de 30 anos atrás, acreditam que a bilheteria não chegue a tanto – mas sabem que seu filme tem um grande apelo popular.

O que mais vai atrair o público, porém, não deve ser o universo rural, mas a presença do cantor sertanejo Daniel – que assina como José Daniel Camillo – estreando como protagonista, num papel que já foi do colega Sérgio Reis. Para se preparar, ele fez um laboratório de 20 dias, além de perder alguns quilos e aprender a tocar berrante. Ao final, o cantor/ator diz estar feliz com o resultado, mas sabe que tem muito a aprender. “Eu aceitei porque a história tem ligação com terra, com gado, que são as minhas raízes familiares”, explicou.

A carreira de Daniel como ator parece ter decolado de vez. Nas próximas semanas, ele entra no ar na TV Globo na novela das 6, Paraíso, na qual também interpretará um boiadeiro.

Uma mesma história com nova roupagem - O roteiro do primeiro O Menino da Porteira partiu da famosa canção homônima de 1955, que narra a amizade entre um boiadeiro e um menino que acaba morto por ‘um boi sem coração’. Aqui, novamente, a música é usada como base mas, segundo Moreira, que co-assina o roteiro com Carlos Nascimbeni, o filme foi totalmente reescrito.

Do Val sempre quis refilmar O Menino da Porteira, um dos maiores sucessos de sua carreira, que inclui entre outros Mágoa de Boiadeiro. Porém, nunca encontrou ninguém disposto a bancar a idéia. Esse cenário, mudou há poucos anos, quando 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira, se tornou um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, com uma bilheteria de mais de 5 milhões de ingressos (ultrapassada apenas na última semana por Se Eu Fosse Você 2).

A Sony Pictures – a mesma que co-produziu e lançou 2 Filhos de Francisco - entrou novamente como co-produtora e distribuidora e aposta no filme, com um lançamento grande, cerca de 250 cópias. Cercado por uma equipe técnica de profissionais de talento reconhecido, como o fotógrafo Pedro Farkas (Não Por Acaso), o montador Manga Campion (Cão Sem Dono) e o maestro Nelson Ayres, Moreira conseguiu dar um acabamento de qualidade ao seu filme.

Ainda é cedo para prever se O Menino da Porteira vai desbancar o posto recentemente adquirido por Se Eu Fosse Você 2. Embora tenha todas as qualidades de um filme popular – sem fazer pouco da inteligência do público –, o longa ainda precisa vencer o preconceito que o cerca por conta de seu tema. Mas a atriz Rosi Campos, que também está no filme, dá um argumento de peso para convencer do contrário. “O Brasil é um país caipira, no sentido magnífico da palavra. O filme é uma homenagem a todos que têm o coração na terra”, define.