Mundo hiperfilmado é inspiração para o premiado uruguaio “Gigante”
- Por Alysson Oliveira
- 19/08/2009
- Tempo de leitura 2 minutos
“Para mim, Gigante é uma comédia romântica que tem algo de ballardiano em seu interior”, completa o cineasta, referindo-se ao escritor inglês Carol Ballard, autor de livros como Crash e O Império do Sol. Numa entrevista por e-mail, de Amsterdã, o diretor argentino, radicado no Uruguai, explica que a ele interessa mais o fetiche de filmar do que a ética de quem espia. “Esse é um filme baseado em grande parte no voyeurismo de observar”.
A carreira internacional de Gigante começou em fevereiro passado, no Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Prata, o segundo mais importante da competição, além do prêmio para diretor estreante e o troféu especial Alfred Bauer, para “inovação cinematográfica”. Na semana passada, o longa foi exibido em Gramado, onde levou os Kikitos da crítica, melhor ator para Horacio Camandule, e roteiro, assinado pelo próprio Biniez. “Estou acompanhando o filme por diversos lugares. Já fui a Lima, Sarajevo e estou em Amsterdã. Em todos lugares, Gigante já tem distribuidor e chegará aos cinemas”.
Apesar de ter sua ação situada em Montevidéu, Gigante tem um apelo universal, ao falar de obsessão e paixão. “As pessoas têm reações bem parecidas por todos os lugares. É muito fascinante. A sessão em Sarajevo, em especial, foi muito emocionante, num campo ao ar livre, para mais de 3 mil pessoas”.
Um dos achados de Gigante, no entanto, é o ator Horacio Camandule, que interpreta Jara, um sujeito grandalhão, amante de rock pesado que esconde dentro de si um coração sensível e apaixonado. “Como o personagem, ele é muito tímido. Além disso, ele é professor primário e faz teatro underground”. Citando entre suas influências Clint Eastwood, John Cassavetes, Takeshi Kitano e Éric Rohmer, Biniez antecipa que já está preparando um novo filme. “Será sobre um jogador de futebol da quarta divisão que se aposenta aos 34 anos e precisa começar uma nova vida, encontrar um novo trabalho”.
A premiação de Gigante em Berlim, ao lado do peruano A Teta Assustada, que levou o Urso de Ouro, poderia apontar uma ascensão do cinema latino-americano. No ano passado, o brasileiro Tropa de Elite também recebeu o prêmio máximo do mesmo festival. “Acredito que estão se fazendo filmes melhores na América Latina, mas ainda estamos a anos-luz do cinema que se faz no oriente”.
