Diretores de “Viajo porque preciso, volto porque te amo” analisam o impacto do filme em suas obras
- Por Alysson Oliveira
- 07/05/2010
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“Para mim, fazer esse filme representa a liberdade que eu tinha quando fazia curtas. Foi a possibilidade de exercitar aquilo que não podia fazer em longas”, confessa o diretor cearense Karim Aïnouz (Céu de Suely) ao comentar seu novo filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, que codirigiu com seu colega pernambucano Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus), para quem o longa é o desejo de
‘bagunçar a linguagem cinematográfica’. “Esse trabalho nos trouxe um frescor, buscamos novos caminhos. Brincamos de fazer um cinema de invenção”.
‘bagunçar a linguagem cinematográfica’. “Esse trabalho nos trouxe um frescor, buscamos novos caminhos. Brincamos de fazer um cinema de invenção”.
Parece exagero, mas não é. Quem viu o filme, que estreou no Festival de Veneza do ano passado, sabe o que dos diretores estão falando. Viajo porque preciso, volto porque te amo é um filme em primeira pessoa, sempre num plano subjetivo, a câmera é o tempo todo o personagem. Dele, só ouvimos a vós, dada pelo ator pernambucano Irandhir Santos. O processo para fazer esse filme, para os diretores, foi o inverso do tradicional. “Primeiro filmamos e depois escrevemos um texto, um roteiro”, conta Aïnouz. “Foi diferente, mas muito motivador escrever um narração para uma imagem que a gente já conhecia”.
Gomes explica que a montagem também se deu de uma forma diferente daquela a que os cineastas estão acostumados. Eles tinham cerca de 25 horas de material bruto filmado, e, aos poucos, foram encaixando partes, como um quebra-cabeça. “Para escreer o texto, precisamos respeitar a curva dramática do personagem, construir uma história para ele. Levamos um ano nesse processo”.
Eles também explicam que ao optar por nunca mostrar fisicamente o protagonista do filme, eles pretendem colocar o público no lugar desse personagem. “È quase uma ideia de diário de viagem roubado. Sabemos tudo sobre ele, mas ele não conta para a gente. Ele conta para uma outra pessoa, para a amada. Mas é a gente quem ouve isso tudo”, explica Aïnouz.
Sem dúvida, a carreira dos dois diretores jamais serão as mesmas depois de Viajo porque preciso, volto porque te amo. Aïnouz conta que em seu filme anterior, O Céu de Suely, já notou uma certa transformação em seu modo de olhar o mundo e filmar. “Agora, interessa para mim o olhar, o momento da ausência. A gente olha menos no dia-a-dia, na rua. O filme dá essa chance de observação, essa possibilidade observar o que está ao nosso redor. Gomes também acredita que aquilo que ele chama de frescor desse filme contaminou o seu jeito de trabalhar e vai estar presente em seus próximos filmes.
Gomes está fazendo a seleção de elenco para seu novo filme, Era uma vez Verônica, que começa a rodar em outubro. “É um drama sobre jovens,personagens fazendo os ritos de passagem para a vida adulta”. A história se passa em Recife, e o diretor vai filmar na cidade.
Já Aïnouz roda em julho um filme baseado na música Olhos nos Olhos, de Chico Buarque. “É uma noite na vida de uma mulher que recebeu a notícia de que seu marido a deixou. É uma história sobre a solidão, a perda”, explica o diretor. Ele conta que Alessandra Negrini será a protagonista da história, que se passa em Copacabana, e terá muitas cenas rodadas na famosa praia carioca. Depois, no final do ano, ele pretende rodar Praia do Futuro, uma coprodução com a Alemanha. Desta vez, a história começa na praia cearense que dá o título ao filme, e termina em Berlim.
Alysson Oliveira
