06/06/2026

Philip Seymour Hoffman, muito além de “Capote”

Philip Seymour Hoffman conta como foi trabalhar em "Tudo pelo poder", de George Clooney, e adianta alguns de seus novos projetos no cinema, com o diretor Paul Thomas Anderson.

por Neusa Barbosa

Vencedor do Oscar de melhor ator em 2006 por Capote – filme no qual mudou completamente sua conhecida voz grave para interpretar o escritor Truman Capote -, Philip Seymour Hoffman, 44 anos, é o tipo de ator para quem nenhum papel é problema. Do vilão Owen Davian de Missão: Impossível 3 ao tímido motorista Jack de Vejo você no próximo verão (que marcou sua estreia na direção em cinema), Hoffman tira de letra qualquer personagem com a cancha de quem também brilha no teatro.

No drama político Tudo pelo poder, de George Clooney, ele interpreta Paul Zara, chefe da campanha do candidato Mike Morris (Clooney), que tenta conseguir a indicação Democrata para concorrer à Presidência. Nesta entrevista, concedida no Festival de Veneza 2011, Hoffman comentou as particularidades deste papel, falou sobre política e Barack Obama mas escondeu o jogo sobre The Master, sua nova parceria com Paul Thomas Anderson – com quem filmou Boogie Nights – Prazer sem Limites, Magnólia e Embriagado de Amor.

Cineweb – Você disse que não vê Tudo pelo poder como um filme político. Pode explicar melhor isso?
Philip Seymour Hoffman - Eu realmente não vi este filme como político, no sentido de que não trata de uma batalha entre Republicanos e Democratas. Um dos caras é liberal, é certo, mas o filme aborda muitas outras coisas. Não há realmente esquerda ou direita aqui. Não há realmente esse tipo de luta. Deste modo, o que acontece aqui poderia acontecer em qualquer outro cenário, em qualquer ambiente high profile.

Cineweb – Para você, qual é o centro da história, então?
Hoffman - É sobre interação humana e o jogo altamente competitivo, sobre quem vai ser posto na cadeira mais poderosa. Acho que isso acontece em muitos setores todos os dias.

Cineweb - De algum modo, a história reflete o clima na América, uma certa decepção da era Obama?
Hoffman - Acho que o filme refere-se a uma série de candidatos, mais do que a Obama. Obama é uma história diferente, tem mais a ver com estar bloqueado. Algo está bloqueado, não pode mais se mover, por causa de pressões extremistas. Esta é uma outra história.

Cineweb - Sua mãe era muito politizada, isso o influenciou?
Hoffman -
Minha mãe é uma advogada, defensora pública, uma ativista a seu próprio modo. Ela era sim uma mulher muito politizada, mas eu não participava disso o tempo todo. Nos meus 20 e poucos anos, sim, mas eu sentia que era muito ingênuo nisso. Ainda tenho essa sensação. Você nunca pode aprender o bastante nos termos desse mundo. É muitas vezes tão confuso. Quando você tenta apreender o que está acontecendo economicamente, digamos, não importa quantas vezes você leia a respeito, sempre lhe vem a sensação: mas era isso mesmo?

Cineweb - Como se relaciona com seu personagem neste filme, como ser humano?
Hoffman -
Paul Zara é um cara que pensa que está certo. Ele acha que está do lado certo. E aproveita essa sensação. Está cercado por pessoas de que gosta, as melhores. Ele é o melhor, ele exige isto. Se não pode fazer isso, vai pedir as contas.

Cineweb Tudo pelo poder não é um filme cínico e pessimista, afinal?
Hoffman - Este é o final desta história, mas não acho que ela representa o mundo. Você pode se perguntar – mas as coisas têm de ser mesmo assim?

Cineweb - Como rolou o convite de George Clooney?
Hoffman - Ele me telefonou, mandou o script. Simples assim.

Cineweb - Sente alguma diferença de ser dirigido por alguém que é também ator?
Hoffman - Um bom diretor é um bom diretor, seja ele também ator ou não.

Cineweb - Como se sentiu estreando na direção [no filme Vejo você no próximo verão]?
Hoffman - Adorei. Dirigi no teatro muito tempo. Vou continuar fazendo isso no cinema, quando puder.

Cineweb - Você está novamente trabalhando com Paul Thomas Anderson, e há muita expectativa quanto a esse novo projeto, The Master. Pode adiantar algo a respeito?
Hoffman - Estou animado. Mas não posso adiantar muita coisa, está sendo feito. É muito cedo pra falar a respeito.