Depois de "Heleno", todos querem bater bola com Rodrigo Santoro
Ator, que interpreta Heleno de Freitas, fala como foi a construção do personagem e seu preparo com o ex-jogador Cláudio Adão, que o ensinou a matar bola no peito.
- Por Alysson Oliveira
- 30/03/2012
- Tempo de leitura 3 minutos

Por Alysson Oliveira
Embora mal apareça jogando futebol em Heleno, Rodrigo Santoro diz que a preparação para o filme mudou sua vida: “Agora, nas peladas com os amigos, não sou mais o último a ser escolhido. O pessoal
até sente falta quando eu não vou”, se diverte o galã. O ator explica que treinou futebol com o ex-jogador Claudio Adão e que se concentrou nos fundamentos do esporte, até porque sabia que o longa iria se fundamentar no lado emocional do esporte.
até sente falta quando eu não vou”, se diverte o galã. O ator explica que treinou futebol com o ex-jogador Claudio Adão e que se concentrou nos fundamentos do esporte, até porque sabia que o longa iria se fundamentar no lado emocional do esporte.
O próprio Santoro conta que já tinha ouvido falar que Heleno fora um grande jogador do Botafogo, mas sabia muito pouco sobre ele. “Quando comecei a pesquisar, descobri uma história fascinante. Meu avô, de 95 anos, ficou emocionado quando eu contei que ia fazer o filme”. O ator se envolveu tanto com o longa de José Henrique Fonseca que acabou trabalhando também como produtor.
“Não foi algo planejado. Acabou sendo uma consequência. Eu não queria sair atrás de patrocinador, pedir dinheiro. Mas quando vi, Heleno era tão importante para mim, que eu queria muito que o filme saísse”.
Um dos patrocinadores do longa é o milionário Eike Batista, e, segundo o diretor, “sem o dinheiro dele, o filme não existiria”.
“Não foi algo planejado. Acabou sendo uma consequência. Eu não queria sair atrás de patrocinador, pedir dinheiro. Mas quando vi, Heleno era tão importante para mim, que eu queria muito que o filme saísse”.
Um dos patrocinadores do longa é o milionário Eike Batista, e, segundo o diretor, “sem o dinheiro dele, o filme não existiria”.
Ao fazer um personagem baseado numa figura real, Santoro explica que existe uma responsabilidade e um compromisso maiores do que aqueles completamente ficcionais. “O ponto de partida é o material que existe sobre ele, conversas com amigos, familiares. Há menos liberdade para se criar um personagem, mas também já existe uma base para te ajudar”. O ator se encontrou com o filho do jogador, que não havia conhecido o pai. “Ele ficou muito emocionado com o filme. Disse que foi uma chance de saber um pouco mais sobre Heleno”.
Santoro também passou por uma dieta rígida para interpretar o jogador nos último período de sua vida, quando estava internado num sanatório e consumido pela sífilis. “Perdi 12 kg em 40 dias. Foi uma dieta milagrosa, com pouco carboidrato e muita verdura e legumes. Mas não foi fácil, foi um trabalho penoso. Além disso, a maquiagem também ajudou a compor essa fase da vida do Heleno”.
Para não cair em estereótipo, o ator disse que tenta não julgar seus personagens na hora de criá-los. “Busco ser o mais humano possível.
Aprendi isso quando fiz a travesti de Carandiru”.
Para não cair em estereótipo, o ator disse que tenta não julgar seus personagens na hora de criá-los. “Busco ser o mais humano possível.
Aprendi isso quando fiz a travesti de Carandiru”.
O futebol em preto e branco
O diretor José Henrique Fonseca não tinha nenhum
distribuidor e nem toda a verba do orçamento de Heleno quando começou a rodar o filme, por isso mesmo resolveu que ia fazer o longa exatamente do jeito que queria: em preto e branco.
“Ao contrário do filme em cores, os longas em preto e branco são um estímulo à imaginação”.
distribuidor e nem toda a verba do orçamento de Heleno quando começou a rodar o filme, por isso mesmo resolveu que ia fazer o longa exatamente do jeito que queria: em preto e branco.
“Ao contrário do filme em cores, os longas em preto e branco são um estímulo à imaginação”.
Ele conta que não queria fazer um filme apenas baseado nos pontos polêmicos da vida do jogador – as várias conquistas femininas, desavenças com jogadores e presidente do clube, entre outras coisas – mas uma história que tocasse na paixão pelo futebol. “Gosto de personagens que estão na corda bamba. Heleno era bipolar, e o comportamento, é claro, influencia sua vida”, explica o diretor que tem em seu currículo O homem do ano.
Ao longo das várias versões do roteiro de Heleno, algumas mudanças ocorreram. Fonseca conta que, num momento, o filme começaria na infância e acompanharia toda a vida do jogador, mas, com o tempo, isso foi alterado. “O que mais me atrai é a trajetória do personagem, por isso nos concentramos na sua fama e decadência”.
