Atores de “Xingu” ressaltam a paixão de seus personagens pelos índios
Padrinho de Caio Blat participou de expedição ao Xingu. “Cresci ouvindo histórias, era algo meio mítico até. Por isso também queria conhecer a região”, afirmou em entrevista ao Cineweb
- Por Alysson Oliveira
- 14/04/2012
- Tempo de leitura 3 minutos
por Alysson Oliveira
Para o ator Caio Blat, participar do longa Xingu era mais do que uma questão profissional – era praticamente algo pessoal. “Meu padrinho participou de uma expedição ao Xingu. Ele era aluno da faculdade de medicina e, quando surgiu a oportunidade, não hesitou”, disse o intérprete de Leonardo Villas-Bôas no longa de Cao Hamburger. “Cresci ouvindo histórias, era algo meio mítico até. Por isso também queria conhecer a região”.
Caio não só conheceu a região, como ficou amigo dos índios moradores do Parque do Xingu – com quem mantém contato até hoje. “Eles têm internet, sabem usar todos os meios de comunicação, Facebook, e-mail, Skype. Converso com eles praticamente todo dia”. Para o ator João Miguel, que faz o irmão do meio, Cláudio, o processo de entrar em contato com os povos indígenas não foi diferente. “A Amazônia tem uma riqueza inigualável em todo o planeta.” Junta-se a eles Felipe Camargo, no papel do irmão mais velho, Orlando.
Para o trio, a relação fraternal foi construída aos poucos. “Somos atores com formações bastante diferentes. Para mim, a questão central nesse trabalho foi trazer à tona os conflitos da história contada. Fazer esse personagem foi um desafio. Sou um ator que, mais do que buscar respostas, me preocupo muito mais com as perguntas”. Seu mergulho no personagem envolveu, entre outras coisas, a perda de peso. Já Felipe precisou perder o sotaque carioca. E conta que rodar o filme isolado na região do Xingu foi importante no processo: “Fiz muita pesquisa, mas quando chegamos lá, o cenário era incrível. Fora que ajuda muito na hora de entrar no personagem”.
Uma coisa que chamou a atenção do trio foi o desmatamento na região ao redor do Parque do Xingu.
“É incrível quando a gente vai chegando de avião e percebe que só existe verde dentro da reserva. Do lado de fora, é como se o desmatamento estivesse abraçando o parque, não tem mais árvore. Os índios chamam isso de O Abraço da Morte”, diz Caio.
“É incrível quando a gente vai chegando de avião e percebe que só existe verde dentro da reserva. Do lado de fora, é como se o desmatamento estivesse abraçando o parque, não tem mais árvore. Os índios chamam isso de O Abraço da Morte”, diz Caio.
É Felipe quem aponta a importância dos irmãos Villas-Bôas não apenas no contato com os povos indígenas e preservação deles, mas também no que diz respeito à ecologia. “Eles são os verdadeiros heróis do Brasil”. João, por sua vez, ressalta que o mundo está à beira de um colapso ambiental e a história dos irmãos Villas-Bôas mostrada no Xingu tem muito a ver com a época em que vivemos. “O meu personagem, Cláudio, já pensava na relação entre meio-ambiente e progresso, por exemplo”.
O filme foi exibido no Festival de Berlim e Caio, que estava presente, disse que pode perceber como os olhos do mundo estão voltados para o Brasil. “É impressionante como o tema mobiliza as pessoas de qualquer parte do mundo. Acho que vai além da questão ambiental, é também um fascínio pelos indígenas”.
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