“Avatar é baseado numa lenda dos índios brasileiros”, diz Cao Hamburger
O diretor de "Xingu", em entrevista ao Cineweb, fala sobre as filmagens entre os índios e revela que "Avatar", de James Cameron, tem a ver com uma lenda indígena brasileira.
- Por Alysson Oliveira
- 05/04/2012
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por Alysson Oliveira
O cineasta paulistano Cao Hamburguer (O ano em que meus pais saíram de férias) se deparou com um mundo novo quando foi para a região do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, pesquisar locações, histórias e até atores para o seu filme homônimo. “Foi um presente que abriu minha percepção para algo que eu não conhecia”, afirma o diretor em entrevista ao Cineweb.
Foram ao todo cinco anos entre pesquisa e filmagens. E durante esse tempo, o diretor descobriu várias coisas, até que o sucesso Avatar, de James Cameron, tem a ver com uma lenda indígena brasileira. “Ele [Cameron} está sempre visitando o Brasil, povos indígenas. Não me espanta que ele tenha colocado isso em seu filme. Os índios têm muita ligação com a natureza, como o longa”. Mas o filme de Hamburger não é baseada numa lenda e sim na história real dos três irmãos Villas-Bôas que desbravaram o oeste brasileiro na década de 1940, liderando a expedição Roncador-Xingu.
“A ideia de Xingu veio do Fernando Meirelles, que conhece o filho do Orlando Villas-Bôas e sempre sugeriu a ele fazer um longa sobre a história do trio”. O roteiro foi escrito pelo diretor em parceria com Anna Muylaert, e depois com Elena Soárez. “Havia muitas histórias envolvendo a expedição e tudo o que veio depois, quando eles se instalaram na região. Tivemos de fazer opções, selecionar, modificar personagens, para poder criar um enredo. Num filme só não é possível dar conta de todo mundo. É preciso fazer um recorte”.
O recorte se concentra na aventura épica dos irmãos Cláudio (João Miguel), Orlando (Felipe Camargo) e Leonardo (Caio Blat), desbravando a região do Xingu e travando contato com os povos indígenas da região. Mas registra-se também o lado intimista, em torno do relacionamento entre o trio. O primeiro a ser escolhido foi João Miguel, e, a partir dele, Hamburger montou a família. “Eu havia trabalhado com o Caio, em O ano em que meus pais saíram de férias, e o Felipe, na série Filhos do Carnaval, e ele foi, para mim, uma grata surpresa”.
Além de atores profissionais, Xingu também escala indígenas. “Durante a pesquisa, antes mesmo do roteiro, quando travamos o primeiro contato, começamos a perceber quem poderia também atuar, afinal o filme é contado também do ponto de vista dos povos do Xingu. Três anos depois desse começo, já estava bem confortável para escolher quem poderia estar no filme, e eles também para saber como atuar”.
Antes de começar as filmagens, todos os atores participaram de ensaios in loco, dos quais saíram muitas coisas novas. “Fizemos muitos exercícios de improvisação. E a cultura indígena é muito rica e sofisticada, por isso tinha muito a nos oferecer”.
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