“Esperamos a Camila Pitanga para fazer o filme”, diz a dupla Beto Brant e Renato Ciasca
Em entrevista ao Cineweb, os diretores revelam que em nenhum momento pensaram em outra atriz para o filme "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios", baseado em romance de Marçal Aquino. “Ficamos apreensivos sobre as cenas de sexo e nudez. Mas Camila não deu a mínima. Disse que conhecia nosso trabalho, confiava na gente”, revela Ciasca.
- Por Alysson Oliveira
- 16/05/2012
- Tempo de leitura 3 minutos
Parceiros há mais de duas décadas – desde quando cursavam cinema na FAAP (SP) –, a dupla Beto Brant e Renato Ciasca parece uma só pessoa, tamanha a sintonia entre eles – ao menos quando se trata de dirigir filmes ou dar entrevistas. “Quando trabalhamos juntos, a gente se soma, não somos de dividir as funções, nem nada parecido”, explica Brant, antes do parceiro chegar, que depois diz praticamente a mesma coisa.
No novo filme, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, eles adaptam novamente um romance de Marçal Aquino – a quinta adaptação baseada na obra do escritor na carreira de Brant. “Acho muito envolvente a maneira como ele [Aquino] constrói o texto, temos uma cumplicidade também”.
Brant conta que fez outros três filmes enquanto Eu receberia... estava em processo de produção. “Esse é um filme caro, complicado de se rodar. Começamos a pensar no filme antes mesmo do Marçal terminar o livro”, conta. Dessa vez, ao contrário de O Invasor (2001), que começou a ser rodado antes do livro ficar pronto, a publicação aconteceu antes do filme.
Em seus trabalhos mais recentes – O amor segundo B. Schainberg e Cão Sem Dono – a dupla Brant/Ciasca parece estar interessada, entre outras coisas, com as dinâmicas do amor, tanto o carnal quanto o espiritual. Nesse sentido, Eu receberia... serve como uma síntese dessa investigação, contando a história da mulher de um pastor, Lavínia (Camila Pitanga), que se envolve com um fotógrafo (Gustavo Machado). ]”É a história de um amor arrebatador”.
Ciasca conta que em momento algum cogitaram outra atriz para o papel da protagonista. “Fizemos o convite, ela leu o livro, o roteiro. Ficamos apreensivos sobre as cenas de sexo, a nudez. Mas Camila não deu a mínima. Disse que conhecia nosso trabalho, confiava na gente”.
Depois que Camila aceitou, ainda foi preciso um tempo para conciliar a agenda da atriz e as filmagens. “Ela tinha acabado de ter um bebê, ia fazer televisão. Mas preferimos esperar a abrir mão dela. A Camila é um mito, além de linda, uma grande atriz”, explica Brant.
Nesse meio-tempo, os diretores, acompanhados do escritor, se embrenharam na região onde o filme seria rodado – no norte do país – e fizeram uma pesquisa de campo que resultou em mudanças na história original. Ciasca aponta que ele e Brant – assim como Aquino – fazem uma arte engajada e, quando chegaram a Santarém (PA), perceberam que a realidade que viram tinha de estar no filme.
“No livro, há o garimpo, mas quando chegamos na Amazônia, vimos um desmatamento tão grande. Era algo muito vivo, maior do que o garimpo”.
“No livro, há o garimpo, mas quando chegamos na Amazônia, vimos um desmatamento tão grande. Era algo muito vivo, maior do que o garimpo”.
Brant ressalta que a dupla se alimenta na pesquisa. Antes de começar a rodar um filme, mergulham no universo da obra. E durante as filmagens, fazem de tudo para passar essa experiência para a equipe. “Ensaiamos na locação. Se a cena se passa às 3 horas da manhã, vamos ensaiar e rodar a essa hora. Isso é o que traz mais densidade para o filme”.
