Atores de “Febre do Rato” dizem como é trabalhar com Cláudio Assis
Irandhir Santos, protagonista do filme, diz que o diretor instiga o ator a dar o melhor o tempo todo. “Ele é muito aberto. Para ele, o filme é coletivo e a gente encontra muito espaço para criar”, afirmou em entrevista ao Cineweb.
- Por Alysson Oliveira
- 27/06/2012
- Tempo de leitura 3 minutos
por Alysson Oliveira
Irandhir Santos, que faz o papel principal em Febre do Rato, conta uma história que explica bem quem é Claudio Assis. Quando fez seu primeiro teste para cinema, foi com o diretor Marcelo Gomes, para Cinema, Aspirinas e Urubus. “Foi muito tranquilo, era uma conversa, nem percebi que estava sendo testado”. Tempos depois, quando foi tentar um papel em Baixio das bestas, o esquema era outro: “O Cláudio me esculachou. Ficava falando: ‘Você não está se esforçando, não quer participar do meu filme, não está respeitando meu trabalho”,
diverte-se o ator, imitando o cineasta. “O Claudão é isso, ele está te instigando o tempo todo”.
diverte-se o ator, imitando o cineasta. “O Claudão é isso, ele está te instigando o tempo todo”.
Para viver Zizo, poeta sonhador e protagonista de Febre do Rato, o ator recebeu um convite. “A responsabilidade, no caso, é maior ainda do que quando se é aprovado no teste. Um convite vindo dele é um desafio ao ator”. Irandhir, que tem no currículo filmes como Tropa de elite 2 e Quincas Berro D’Água, não mediu esforços para estar à altura das expectativas. Mas observa que filmar com ‘Claudão’ é mais tranquilo do que parece. “Ele é muito aberto. Para ele, o filme é coletivo, então a gente se prepara muito, discute muito cada cena. A gente encontra muito espaço para criar”.
A maior dificuldade que o ator teve, no entanto, quando começou a se preparar foram os poemas declamados por seu personagem. “Eu já estava ensaiando na locação, onde seriam feitas muitas das minhas cenas. É onde o poeta cria o seu jornal, um quintal e um cômodo. Mas não conseguia me apropriar das poesias, fazê-las minhas. Tive de recorrer ao Hilton [Lacerda, autor do roteiro e dos poemas] para me ajudar. Ele explicou cada um dos poemas, quando os escreveu, porque escreveu... assim, fui tomando-os para mim”.
Cláudio, conta o ator, tem uma visão de mundo visceral. “Eu fui buscar nele mesmo muita da inspiração para criar O Poeta. Eu acho que o personagem tem muito dessa inquietação dele. A postura dos dois diante do mundo e da arte, para mim, é a mesma”.
Matheus, Mariana, Tânia
Já Matheus Nachtergaele, em seu terceiro filme com Cláudio, define o cinema do diretor como “denso – do jeito que tem de ser”. Ele não abre mão de suas ideias, mesmo que demore para conseguir dinheiro.” O ator explica que fazer Amarelo Manga (2003) foi muito mais difícil, porque não conseguiam patrocinadores. “Acho que com isso o Cláudio aprendeu a usar a criatividade para suprir a falta de dinheiro. Fazemos praticamente todas as cenas num único take. Para o ator é muito bom, porque a gente vai num fluxo único. No final, isso é perceptível na tela”.
Sua colega de cena, Mariana Nunes, confessa que, num primeiro momento, fico assustada em ter de fazer a cena inteira de uma vez. “Eu estranhei muito, tinha medo de não dar certo, de não conseguir estar à altura. Mas, depois, a gente percebe que é melhor, que ao entrarmos num ritmo é bom não ter um corte. Depois de Febre..., fiz outro filme ‘ao modo tradicional’ e até estranhei”.
Tânia Granussi, atriz de teatro paulistana do grupo Satyros, analisa que esse método de filmagem de Cláudio aproxima o cinema do teatro. “O ator tem que ter muito domínio da técnica para fazer a cena de uma única vez nas filmagens.”
