24/07/2026

Koji Yamamura, animação sofisticada e poética

Um dos grandes nomes da animação no Japão, Koji Yamamura é dono de um trabalho sofisticado e poético, que difere muito dos tradicionais mangá e anime, técnica da qual faz parte o famoso Pokémon. Seu último filme, o curta Mt. Head (foto), baseado na história japonesa Atama-Yama, foi indicado ao Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2001.

Yamamura veio ao Brasil para participar de debates no Anima Mundi, festival que o homenageia com uma retrospectiva. Pouco antes de chegar ao país, falou a Cineweb por e-mail sobre a invasão da computação gráfica e do espaço no circuito cinematográfico para animação no Japão.

Cineweb - Qual o espaço no circuito comercial japonês para a animação? Há muitos desses filmes sendo exibidos nos últimos tempos na televisão ou em outros canais como festivais?
Koji Yamamura- Não sei ao certo os dados do mercado cinematográfico japonês, mas posso dizer que é muito grande. Em um ano, 70 ou mais animações foram feitas para vídeos e cinema, e cerca de 100 curtas são exibidos semanalmente como séries de televisão. Trabalhos como os meus não são tão conhecidos no Japão, mas estão se popularizando cada vez mais. Tanto que meus filmes passaram em muitos cinemas neste ano.

Cineweb - Desenhos animados como Pokémon e Digimon são muito populares em todo o mundo. O seu trabalho é bastante diferente deles. Há algum tipo de resistência aos seus filmes fora do Japão?
Yamamura - Há inúmeros tipos de animação e para cada uma delas há sempre um público interessado.

Cineweb - Como é o seu processo de criação, os roteiros e os desenhos das imagens que muitas vezes parecem saídas de sonhos?
Yamamura - Primeiro, agrupo imagens que tenho na cabeça. Elas nunca são inspiradas em sonhos. Algumas eu tiro de acontecimentos da vida real e outras são extraídas da literatura, de filmes e de músicas. Então, desenho-as e escrevo notas para transformá-las em animação.

Cineweb - Seu último filme, Mt. Head, foi indicado ao Oscar na mesma categoria que The Chubbchubbs!, que acabou vencedor. Qual sua opinião sobre a recente "invasão da computação gráfica"? O sr. acaha que isso pode trazer algum prejuízo às outras técnicas de animação? E há alguma possibilidade de o sr. utilizar a computação em seus trabalhos?
Yamamura - Trabalho com computador há dez anos e acho impossível não depender dos computadores, mas não estou interessado em animação em 3D. As animações de desenhos não-digitais ou de massinha sempre existirão, mesmo que não sejam a sensação do momento.

Cineweb - Qual sua opinião sobre filmes que fazem uso de animações para ajudar a contar histórias, como fez Michael Moore em seu documentário Tiros em Columbine? O sr. acha que isso pode ser bom para o futuro da animação?
Yamamura - Não assisti a Tiros em Columbine, mas gosto de filmes que misturam imagens filmadas às animações. Acho até que isso é muito bom para animação.

Leia o especial sobre o Anima Mundi

Cineweb-25/7/2003