Diretor de "Meu pé de laranja lima" diz que adaptação é "emocionante, não triste"
Diretor fala o romance de José Mauro de Vasconcelos e a responsabilidade de adaptar para o cinema um livro tão cultuado.
- Por Alysson Oliveira
- 19/04/2013
- Tempo de leitura 4 minutos

por Alysson Oliveira
Marcos Bernstein, diretor de Meu Pé de Laranja Lima, é categórico: “Não acho que o filme seja triste. Ele é emocionante”. Uma nova adaptação de um dos romances mais famosos do Brasil chega aos cinemas e traz o pequeno João Guilherme Ávila no papel de Zezé, um menino incompreendido pela família, que se torna amigo de um frágil pé de laranja lima, e, mais tarde, de um português, interpretado por José de Abreu.
Nessa entrevista, Bernstein, que foi roteirista de Central do Brasil, de Walter Salles, comenta como é dirigir um roteiro que ele mesmo adaptou e o peso de levar ao cinema um livro tão cultuado. Confira abaixo.
Como você tomou contato com o livro? Foi na infância?
Não, eu fui ler o romance quando já tinha mais 30 anos, quando a produtora Kátia Machado
me convidou para escrever o roteiro. Na época, fazíamos meu primeiro longa, O outro lado da rua. Eu nem ia dirigir, mas fui me apegando aos rumos que o projeto tomou. Eu escrevo muitos roteiros, mas esse foi especial, me tocou e eu queria dirigir.
me convidou para escrever o roteiro. Na época, fazíamos meu primeiro longa, O outro lado da rua. Eu nem ia dirigir, mas fui me apegando aos rumos que o projeto tomou. Eu escrevo muitos roteiros, mas esse foi especial, me tocou e eu queria dirigir.
E o que o atraiu a querer dirigir?
Gosto muito de histórias sobre personagens solitários e cada um procurando o seu lugar, que é o que acontece aqui e também no meu primeiro longa.
Você sentiu uma certa responsabilidade em adaptar um dos romances mais famosos do país?
Há uma vantagem em trabalhar com um livro – ao invés de um roteiro original – que já te traz os personagens e a trama prontos. Mas é preciso saber se desprender na hora certa. Num roteiro original você não tem compromisso, faz o que quer fazer. Aqui, o romance tem fãs, gerações que cresceram lendo esse livro. Quanto mais famosa a obra original, maior a responsabilidade.
E quando você está num set dirigindo uma cena, o lado roteirista está junto com você ou é possível separar uma função da outra?
Eu não virei diretor porque tinha vontade de proteger meus roteiros. Sempre gostei de dirigir. Mas, no set, acaba-se
tendo a vantagem de que, se é necessário fazer mudanças no roteiro, eu mesmo faço, não é preciso esperar por um roteirista.
tendo a vantagem de que, se é necessário fazer mudanças no roteiro, eu mesmo faço, não é preciso esperar por um roteirista.
Como foi feita a seleção do protagonista? Como chegaram ao João Guilherme Ávila?
Inicialmente, iríamos filmar o longa dois anos antes de quando realmente aconteceu. Daí, testamos uns 400 garotos. Mais tarde, quando o filme realmente aconteceu, achei que podíamos fazer diferente: traçar um perfil mais claro do que a gente queria. O que nos guiou na escolha foi o olhar que o personagem devia ter. Quando escolhemos o João eu tinha medo de que tivéssemos nos precipitado, mas resolvi confiar. Fizemos uma preparação com o elenco, e todos os que compunham a família do Zezé [o protagonista] passaram um tempo numa fazenda se enturmando.
O filme é atemporal: há elementos do passado, como o modelo do carro, e do presente, como CDs e celular. Em que momento foi feita a opção
de não situar o filme claramente no tempo?
de não situar o filme claramente no tempo?
Até
cogitamos situar a trama na época do livro, mas além do gasto, vimos que isso não iria influenciar na história, que é atemporal. Achei que podia ser bem interessante criar essa suspensão no tempo.
cogitamos situar a trama na época do livro, mas além do gasto, vimos que isso não iria influenciar na história, que é atemporal. Achei que podia ser bem interessante criar essa suspensão no tempo.
A trama original do livro é muito triste. Como você lidou com esse aspecto, para não deixar o filme melancólico demais?
O livro é triste mesmo, mas o filme é emocionante. São coisas diferentes. O romance é uma história de reflexão, mas, aqui, o que vale é o impacto emocional. Queríamos trazer os elementos da obra original para a tela, como a capacidade de superação, a falta de comunicabilidade. Queríamos lidar muito com a fantasia, o lúdico. A fantasia foi uma das coisas que mais me seduziu do filme.
O livro é bastante famoso fora do Brasil
e já foi traduzido para mais de 30 línguas e publicado em 20 países. O filme já foi negociado para ser lançado no exterior?
e já foi traduzido para mais de 30 línguas e publicado em 20 países. O filme já foi negociado para ser lançado no exterior?
Sim, já vendemos para países como França, Portugal, Espanha, Coréia do Sul, Alemanha, Turquia, onde, aliás, esse livro é muito famoso.
