“As pessoas se deixam comover” com histórias do filme “O que se move”
Segundo o diretor Caetano Gotardo, seu filme, inspirado em casos reais, é “mais aberto” do que ele imaginava. Leia a entrevista ao Cineweb.
- Por Alysson Oliveira
- 10/05/2013
- Tempo de leitura 2 minutos

O jovem diretor de curtas Caetano Gotardo costumava colecionar notícias de jornal no seu computador. Não eram grandes fatos internacionais, e sim pequenas notícias, coisas que passavam quase despercebidas aos olhos da maioria dos leitores. “Três delas ficaram comigo. Não me saíam da cabeça. Foram as que serviriam de base para o meu filme”, explica. Seu primeiro longa, O que se move, estreia em São Paulo, depois de uma bem-sucedida carreira em festivais.
A primeira versão do roteiro ficou pronta em 2008, partindo de fatos reais, mas, como explica Gotardo, o que o guiou foi o interesse humano. “Eu tinha a preocupação de me aproximar dos personagens, de respeitar o tempo de cada um deles”.
Esse interesse, aliás, é para ele o que melhor explica a empatia do público com o filme – já exibido em festivais como Gramado e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. “Foi uma surpresa grande, porque eu sei que é um filme mais difícil. Eu pensava que fosse um filme para um público mais específico. Mas descobri que é muito mais aberto do que eu imaginava. As pessoas se deixam comover”.
Para trazer uma espécie de respiro para as histórias, Caetano viu a música como uma forma de evitar um olhar trágico. “Não queria fazer algo fatalista. Não queria condenar o personagem. Colocar as protagonistas de cada história para cantar ao final dos três segmentos foi uma forma de encontrar lirismo, um espaço de transbordamento”. A ideia das músicas esteve presente desde a concepção do roteiro. As canções – compostas com o cineasta Marco Dutra (Trabalhar cansa) – acabaram se tornando importantes também na dramaturgia.
Mas não era apenas isso que o diretor tinha em mente quando escreveu o filme. Duas personagens foram pensadas para duas atrizes/cantoras: Cida Moreira e Andrea Marquee. “Eu as conheço de shows e sempre achei que têm muita presença no palco. No filme, elas são mais atrizes do que cantoras. Isso era uma preocupação delas, não deixar a cantora sobressair”. A terceira intérprete, Fernanda Vianna, também têm experiência de cantar em peças. Ela faz parte da companhia mineira de teatro Grupo Galpão.
A passagem da carreira de diretor de curtas – incluindo Areia (2008) e Os Barcos (2012) -
para longas foi, para Gotardo, algo natural. “O essencial se manteve, o meu trabalho, a relação com a equipe, com quem eu já havia trabalhado, aliás. Claro que um longa é mais caro, há mais gente envolvida. Mas eu vi tudo como um fluxo, a extensão natural do que eu fazia até então”.
