Franco Brogi Taviani prepara série de TV sobre imigração italiana no Brasil
Irmão mais novo dos famosos e premiados Paolo e Vittorio Taviani, o também cineasta Franco Brogi Taviani está em São Paulo prestigiando o 9º Festival de Cinema Italiano no Brasil. Em entrevista ele falou sobre o documentário que pretende fazer sobre a imigração italiana no Brasil.
- Por Neusa Barbosa
- 22/11/2013
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por Neusa Barbosa
Fotos:Roberto Silva/Divulgação
Irmão mais novo dos famosos e premiados Paolo e Vittorio Taviani, o também cineasta Franco Brogi Taviani está em São Paulo prestigiando o 9º Festival de Cinema Italiano no Brasil. Algumas das principais atrações da programação são uma retrospectiva parcial da obra dos irmãos e também os filmes de Franco, em cartaz no MIS a partir deste sábado (23-11).
Numa coletiva realizada no MIS, na manhã desta sexta (22-11), com a participação dos irmãos em videoconferência online, Franco Brogi deu alguns detalhes de um projeto que tenta produzir no Brasil, uma série de TV sobre a imigração italiana no país.
Franco trabalha neste projeto há cerca de um ano e não pretende fazer “um simples registro” desta imigração. Não quer também fazer uma obra didática e sim organizar seu conteúdo a partir do que chama de “núcleos poéticos”. “Por que se imigra? Por amor, por medo, por pobreza, por senso de aventura. Quero formar um mosaico”, define Franco, que procura financiamento para o projeto, com o apoio da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo.
Novo roteiro
Falando de Roma, Paolo e Vittorio destacaram a alegria de estarem representados os três irmãos numa mostra de cinema. Indagados sobre seu novo projeto, depois de César Deve Morrer, que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012, contaram ter concluído, há dias, um novo roteiro, que devem filmar a partir de março 2014.
Muito simpáticos, não quiseram, no entanto, adiantar maiores detalhes. “É uma história do passado que se projeta no presente, com muito sofrimento. Mais não digo, é uma superstição. Não se fala de projetos ainda não filmados”, disse Vittorio. Ao seu lado, rindo, Paolo completou; “Já falou muito”.
Os dois comentaram a razão da escolha de Rebibbia, a enorme prisão romana de segurança máxima, como cenário de César Deve Morrer. Contaram que uma amiga deles insistia para que conhecessem o trabalho dos atores dentro da prisão. Eles resistiam. De tanto insistir, ela conseguiu que fossem lá. A leitura, por um dos presos-atores, de um dos cantos de A Divina Comédia não em italiano, como no original, mas em seu dialeto napolitano, os emocionou a ponto de redescobrir a beleza do texto. E também os convenceu de que deviam fazer um trabalho ali.
Eles comentaram a importância de Nanni Moretti como coprodutor e distribuidor do filme. “Filmamos em 21 dias, com pouquíssimo dinheiro. Depois, mostramos o filme a alguns distribuidores. Um nos disse que seria ótimo para mostrar em escolas. Outro, que era muito peculiar. Outro saiu sem dizer nada. Nanni, ao contrário, disse: ‘Quero distribuir este filme’. Até agora, o filme chegou a 86 países”, comemorou Paolo.
Mastroianni
Diretores do drama político Allonsanfan (74) – parte da retrospectiva paulistana -, Paolo e Vittorio também não se fizeram de rogados para compartilharem algumas lembranças deste trabalho com Marcello Mastroianni. “De todos os atores com quem trabalhamos, ele foi um dos grandes e certamente o mais amável que esteve em nossos sets”, observou Vittorio.
Vittorio confirmou que o ator não se preparava para as cenas. Lia seus diálogos, memorizava-os rapidamente – “tinha uma memória de aço” – e atuava. Ainda assim, tiveram suas discordâncias. Inicialmente, Marcello utilizava gestos muito melodramáticos para fazer Fulvio Imbriani, o protagonista em Allonsanfan. Os diretores o chamaram e disseram que seu personagem era um “homem moderno”, portanto, aquele gestual não cabia. Foi o suficiente para que ele se corrigisse. “A partir dali, nossa ligação foi extraordinária”, disse Paolo.
Franco Taviani observou que um dos capítulos da série sobre imigração italiana no Brasil tratará de estereótipos, tanto dos negativos, como a comparação com os “carcamanos”, quanto os positivos, como nos anos 50, quando se dizia “belo como um italiano”. “Nesse último caso, o estereótipo era Mastroianni”, afirmou.
Ironicamente, lembraram os irmãos, o próprio ator dizia não entender porque o consideravam bonito. “Tenho a testa baixa, o nariz um quilômetro distante dos lábios, uma cara de bancário pequeno burguês”, assim ele mesmo se descrevia, segundo Franco.
Distribuição internacional
Ao encerrar a entrevista, Paolo fez questão de elogiar a iniciativa do festival. “Fazemos um grande agradecimento em nome do cinema italiano ao festival porque a distribuição internacional sacrifica um certo tipo de cinema. É preciso salvar o cinema italiano que não se vê em todo lugar”.
