Helvécio Ratton se inspira em “Goonies” e "Indiana Jones" para criar aventura juvenil
Em sua carreira, o mineiro Helvécio Ratton transita entre a ficção ("Batismo de Sangue") e o documentário ("O Mineiro e o Queijo"), entre o cinema adulto e o infanto-juvenil ("A Dança dos Bonecos"). Agora, em "O Segredo dos Diamantes", que para ele “tem de se comunicar com todos que estão na sala”, o cineasta busca inspiração em clássicos do gênero para contar a história de um trio de adolescentes que busca um tesouro lendário numa pequena cidade do interior de Minas Gerais. Leia mais sobre o filme e o processo de produção nessa entrevista a Alysson Oliveira, do Cineweb.
- Por Alysson Oliveira
- 17/12/2014
- Tempo de leitura 4 minutos


por Alysson Oliveira
Em sua carreira, o mineiro Helvécio Ratton transita entre a ficção (Batismo de Sangue) e o documentário (O Mineiro e o Queijo), entre o cinema adulto e o infanto-juvenil (A Dança dos Bonecos). Agora, em O Segredo dos Diamantes, que para ele “tem de se comunicar com todos que estão na sala”, o cineasta busca inspiração em clássicos do gênero para contar a história de um trio de adolescentes que busca um tesouro lendário numa pequena cidade do interior de Minas Gerais. Leia entrevista abaixo:
Como surgiu a ideia para fazer o filme?
A ideia surgiu das muitas histórias de tesouros perdidos que eu ouvi, que eu li ou assisti desde criança. Mas teve uma história em particular que me tocou muito, que ouvi do sr. Angelo Dettori, um italiano que viveu em Diamantina e passou a vida procurando um tesouro de diamantes. O sr. Angelo trabalhou em meu filme A Dança dos Bonecos e, em homenagem a ele, coloquei o nome de Angelo no garoto protagonista de O Segredo dos Diamantes.
Como foi feita a escolha do trio de protagonistas? Como foi trabalhar com eles?
Pra encontrar diamantes é preciso procurar...
Os meninos surgiram através de muitos testes, foram mais de 600. Gosto de trabalhar com rostos novos, desconhecidos do grande público e sem vícios de interpretação. A química entre os garotos funcionou muito bem e foi um prazer do início ao fim, eles trouxeram para o set um sopro de frescor e espontaneidade que contagiou toda a equipe. E está no filme.
Os meninos surgiram através de muitos testes, foram mais de 600. Gosto de trabalhar com rostos novos, desconhecidos do grande público e sem vícios de interpretação. A química entre os garotos funcionou muito bem e foi um prazer do início ao fim, eles trouxeram para o set um sopro de frescor e espontaneidade que contagiou toda a equipe. E está no filme.
Viu muitos filmes do gênero aventura infanto-juvenil para ter referências ?
A inspiração para esse filme veio de muito antes, e de fontes diferentes,
da literatura, das histórias em quadrinhos, das muitas lendas sobre tesouros escondidos que há em Minas e, é claro, também do cinema. São muitos os filmes que têm como tema a busca de tesouros, de O tesouro de Sierra Madre a Indiana Jones, passando pelos infanto-juvenis como Goonies, por exemplo, que é um clássico do gênero. Meu desejo foi o de criar uma história universal, mas com forma e conteúdo brasileiros. Tesouro nacional.
da literatura, das histórias em quadrinhos, das muitas lendas sobre tesouros escondidos que há em Minas e, é claro, também do cinema. São muitos os filmes que têm como tema a busca de tesouros, de O tesouro de Sierra Madre a Indiana Jones, passando pelos infanto-juvenis como Goonies, por exemplo, que é um clássico do gênero. Meu desejo foi o de criar uma história universal, mas com forma e conteúdo brasileiros. Tesouro nacional.
Quando trabalha com cinema infanto-juvenil, procede do mesmo modo que quando faz filmes para adultos?
Do mesmo modo. Só que, nesses filmes, tenho como codiretor um garoto que habita dentro de mim e que tem sempre sugestões e ideias muito divertidas.
Como fazer um filme para crianças, e ainda assim, tentar chegar também aos adultos que eventualmente os acompanharão ao cinema?
Sou da opinião de que um filme para crianças tem que agradar ao adulto que está com ela, o filme tem que se comunicar com todos que estão na sala. Se não, vira um suplício para o espectador adulto. Em O Segredo dos Diamantes, há certos elementos que os adultos são capazes de compreender em toda sua plenitude, eles podem curtir sutilezas que as crianças ainda não tem vivência ou conhecimento para perceber. O olhar dos garotos se foca em outros aspectos, mas o principal é envolver adultos e crianças na mesma narrativa. Ambos têm que se interessar por saber o que vai acontecer.
Como planejou esse diálogo com o público infanto-juvenil, que anda mais interessado em eletrônicos do que cinema?
Pra falar com esse público, que anda de olho nas telinhas, a gente criou até um game com os personagens e o tema do filme. A ideia é estar onde os garotos estão, falar a língua deles e atraí-los para o filme.
Não é tarefa fácil no atual momento, mas continuo acreditando na força das boas histórias bem contadas, com arte e emoção.
Não é tarefa fácil no atual momento, mas continuo acreditando na força das boas histórias bem contadas, com arte e emoção.
Quais são seus próximos projetos?
Vou rodar em 2015 um documentário sobre o hospital psiquiátrico de Barbacena, que foi um dos maiores e mais terríveis do Brasil. Filmei lá, 30 anos atrás, um documentário intitulado Em Nome da Razão, quando o hospício de Barbacena era o inferno na terra. Volto agora ao hospital, que não é mais uma prisão, a partir do livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex e que conta a história de vários personagens que ali perderam suas vidas. Um belo livro sobre um tema que me emociona muito, e que agora pretendo tratar de outra maneira, com um olhar menos duro e mais poético.
