Vicente Amorim mescla o intimismo ao filme de estrada em "O Caminho das Nuvens"
- Por Neusa Barbosa
- 12/09/2003
- Tempo de leitura 9 minutos
Texto e fotos Assistente de direção em 23 longas - como Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco, Orfeu, de Cacá Diegues, e Bossa Nova, de Bruno Barreto - Vicente Amorim tinha três projetos para lançar-se como diretor de ficção. No gênero documentário, já havia realizado 2000 Nordestes (2000). O acaso o levou de encontro à história verdadeira de uma família nordestina, liderada por um ex-caminhoneiro desempregado que larga a Paraíba e atravessa 3.200 km de estrada com mulher e seis filhos, todos de bicicleta. A paixão por esse filme de estrada, que prefere fechar o foco mais nas relações familiares do que na estrada mesma, custou cinco anos da vida de Amorim, um filho de diplomata nascido na Áustria e que viveu na Inglaterra, Holanda e Estados Unidos antes de radicar-se no Rio de Janeiro. Nesta entrevista exclusiva, concedida em São Paulo, o diretor detalha a sua própria epopéia para concretizar a produção, em estréia nacional em 70 cópias no dia 12 de setembro de 2003. Cineweb - Qual foi a primeira vez que você ouviu a história do Romão?
Vicente Amorim - Há uns cinco anos. Na mesma época, saiu no Fantástico e na Istoé. Praticamente na hora eu escrevi uma espécie de sinopse, apresentei para os produtores. O [Luiz Carlos] Barreto é nordestino e também se apaixonou pela história. Praticamente no dia seguinte a gente teve o sinal verde para começar.Cineweb - Você estava procurando uma história para estrear como diretor?
Amorim - Quem faz cinema, quem é ou quer ser diretor está sempre procurando uma história. Eu tinha dois ou três outros projetos, dois deles com roteiros prontos.Cineweb - Que você mesmo escreveu?
Amorim - Sim, junto com Davi França Mendes, que foi quem escreveu o roteiro deste filme. O outro era só mais uma idéia. Eu adorava aquelas histórias. Mas ficou claro para mim que essa veio como um rolo compressor em cima das outras e eu dediquei cada dia da minha vida, durante estes cinco anos, a este projeto. Claro que eu fiz outras coisas no meio-tempo, porque ninguém vive de vento e eu não sou rico.Cineweb - Você trabalha com publicidade também, faz aquele jogo de muitos cineastas brasileiros.
Amorim - É. Aí este projeto virou uma idéia fixa. Eu achava, na verdade, que meu primeiro filme seria um filme urbano. Até porque eu sou urbano, classe média, moro no Rio. Então você sempre acha que vai fazer um filme mais próximo do seu universo. Mas de repente me dei conta de que essa história, embora uma história de retirantes, de pessoas muito pobres, era mais próxima de mim do que todas as outras. Cineweb - Em que sentido?
Amorim - É uma comparação meio esdrúxula. Eu sou filho de diplomata, nasci fora do Brasil, inclusive. É uma comparação um pouco louca porque a gente nunca passou nenhuma privação, obviamente. Mas a coisa da vida errante e dos filhos irem ficando pelo caminho foi uma coisa que aconteceu com a minha família. Eu saí de casa, depois a minha irmã. Uma relação muito forte e às vezes conflituosa com o pai, essas coisas todas, você de repente percebe que têm uma universalidade nessa história que o fato de ela se passar em condições extremas faz com que temas comuns a todos nós, a mim, a você, a pessoas de classe média, baixa, alta, de outros países, se identifiquem. Porque, por causa dessas condições extremadas, essas emoções ficam mais à flor da pele.Cineweb - Aí você foi conhecer o Romão?
Amorim - Claro, eu e o Davi [França Mendes, roteirista]. Fomos atrás dos repórteres que descobriram a história e levamos quase uma semana para conseguir achar onde eles estavam lá no Rio. A família estava vivendo de ajuda, de uma assistente social e de um padre. E a primeira reação deles foi de uma certa desconfiança, obviamente. Cineweb - Por causa do que ele passou na estrada?
Amorim - Mais ou menos isso. Porque o Panamá, o personagem do Sidney Magal, não existiu na verdade exatamente como ele é. Mas existiram vários pequenos Panamás, na história verdadeira. Pessoas que tentaram engambelar o Romão, que disseram que iam pagá-lo e não pagaram. Então obviamente chegam dois caras da Zona Sul e dizem que vão fazer um filme... A reação normal deles foi: " Que história é essa?". Mas aí conversamos, a gente ganhou a confiança deles. Obviamente, foi feito um acordo financeiro. Cineweb - Os nomes da pessoas reais foram mantidos?
Amorim - Não, são todos diferentes. São nomes parecidos com esses, desse gênero que eu chamo de nomes brasileiros. Aí, ficamos três meses entrevistando eles, quase que diariamente, principalmente o Davi. A Lucy Barreto [produtora] ajudou muito também quando era o caso de entrevistar a mulher. Cineweb - Por quê?
Amorim - É como na psicanálise. Se você é homem, normalmente é melhor fazer análise com um homem e vice-versa. Para a Rose falar da relação afetiva deles ficava muito mais fácil contar a uma mulher. E aí quando a gente terminou essas entrevistas, já tínhamos um perfil psicológico muito bom, muito bacana desses personagens, os conflitos internos da família, as grandes questões, as grandes angústias que eles sentiam. Mas faltava uma coisa.Cineweb - O que era?
Amorim - Refazer o caminho deles. Aí eu e o Davi refizemos, só que de carro. O trajeto que eles fizeram em seis meses a gente refez em pouco mais de duas semanas, quase três. Foi importantíssimo porque não só vimos os lugares em que eles estiveram, como estivemos com muita gente com quem eles tinham estado e conhecemos muitas pessoas que nos ajudaram a criar, por assim dizer, a cor local para a ambientação do roteiro. Porque há uma tendência muito forte, principalmente na televisão brasileira, em mistificar e folclorizar o Nordeste. Na verdade, o Nordeste é uma espécie de caldeirão pop, pós-moderno. E há uma tendência de paternalizar personagens...Cineweb - Destituídos.
Amorim - Exatamente. Você acaba tendo uma visão piedosa e paternalista destes personagens que a gente absolutamente não queria, porque havia uma identificação muito forte nossa com a história e com os conflitos desses personagens. Então não havia porque a gente se colocar num patamar superior. Nem a eles nem à cultura não só da qual eles provinham mas que eles conheceram ao longo da viagem. Foi de onde, aliás, surgiu a idéia de colocar Roberto Carlos na história. Cineweb - Mas na vida real eles não cantavam mesmo Roberto Carlos?
Amorim - Eles cantavam um pouco como naquela cena em que eles cantam Se Você Pensa. Por prazer, não para ganhar dinheiro. Na verdade, eles conseguiram sobreviver mais de esmola, de lavar carros, pequenos bicos, esse tipo de coisa. Cineweb - Foi a Cláudia Abreu quem teve a idéia de cantar?
Cineweb - Não, a idéia de cantar já existia. Ela teve a idéia de a personagem dela cantar. Normalmente, cantavam só as crianças. Na verdade, eu já tinha tido essa idéia. Então ela sugeriu, eu adotei na hora. O Roberto Carlos é o cantor que mais se ouve no Brasil inteiro, é impressionante. Até saiu uma pesquisa do ECAD [Escritório de Arrecadação de Direitos Autorais] mostrando que ele mais uma vez é o campeão dos direitos autorais, de execução. E tem outra coisa que é óbvia mas na qual eu não pensava o tempo inteiro. Sou um cara de classe média do Rio de Janeiro e adoro Roberto Carlos. A família de retirantes gosta do Roberto Carlos. Ele tem uma abrangência na cultura brasileira que é enorme.Cineweb - Verdade que é a primeira vez em que ele autoriza o uso das músicas dele num filme?
Amorim - Não sei. Só sei que é a primeira vez que ele libera oito músicas para um mesmo filme, isso com certeza. Acho que talvez ele tenha liberado antes uma ou outra. Cineweb - Vocês fizeram muitas sessões-testes do filme?
Amorim - Fizemos em Juazeiro, Fortaleza, Recife, Salvador. Não eram pré-estréias. Não conhecíamos ninguém que foi a essas sessões. Cineweb - Para medir a resposta das pessoas?
Amorim - Na verdade, um pouco para balizar a estratégia de lançamento. Havia uma questão sobre se o final funcionava ou não. Tem gente que o acha um pouco desconcertante.Cineweb - E a conclusão foi positiva.
Amorim - A vasta maioria avaliou o filme como emocionante. Então isso nos deixou seguros em relação ao final, às faixas etárias e sociais. A gente teve uma média de 91% de ótimo e bom. Isso é bom porque, além da satisfação pessoal, cria uma confiança nos produtores e distribuidores. Agora, para ser sincero, eu acho que se sessão-teste fosse absolutamente infalível nenhum filme americano seria um fracasso. E não é bem assim. Cineweb - Apesar de alguns incidentes, você mantém uma certa leveza em toda a história. Em algum momento você pensou em torná-la mais dramática?
Amorim - Não. Eu não queria fazer uma história leve. A pungência da história está, fazendo uma comparação, com Bye, Bye Brasil. Eles passam algum perigo ali? Não, não passam. O grande barato do Bye, Bye Brasil e eu espero que seja o do meu filme também, o que eu tentei pelo menos, foi justamente fazer com que os conflitos internos da família, as alegrias, as angústias e as esperanças deles fossem a força-motriz do filme. É claro que a dificuldade física está presente e é mostrada. Mas eu não queria fazer um filme sobre isso. Não era um filme sobre a viagem, era sobre a família. Aí eu estaria fugindo da verdade dramática dos personagens para criar um tipo de apelo externo à história. Não era o que me interessava. Eu acho que tem um lado picaresco na história que se junta com o lado da aventura e que prescinde desse tipo de apelo. Cineweb - Vocês se inscreveram para concorrer à indicação para a indicação para competir ao Oscar de filme estrangeiro. Qual a sua expectativa nessa área?
Amorim - Quase todos os filmes se inscreveram. É praxe. Claro que eu adoraria que ele fosse indicado. Mas isso é melhor para o cinema brasileiro como um todo do que para o filme especificamente, seja ele qual for. Acho que qualquer diretor tem uma relação meio filial com seu filme. Você se sente meio mãe de miss. Quer que ela ganhe o Miss Universo, que ninguém fale mal dela, esse tipo de coisa. Cineweb - Você já tem outros projetos engatilhados para o cinema?
Amorim - Tenho três projetos. Um se chama Parada Modelo, que é uma história de como pode surgir uma história de amor que redima os personagens principais num ambiente absolutamente sórdido, de altíssima degradação moral. Tem também o Corações Sujos, baseado no livro do Fernando Morais. E tem um documentário sobre o Sidney Magal, chamado Meu Sangue Ferve por Você.Cineweb-12/9/2003
Vicente Amorim - Há uns cinco anos. Na mesma época, saiu no Fantástico e na Istoé. Praticamente na hora eu escrevi uma espécie de sinopse, apresentei para os produtores. O [Luiz Carlos] Barreto é nordestino e também se apaixonou pela história. Praticamente no dia seguinte a gente teve o sinal verde para começar.Cineweb - Você estava procurando uma história para estrear como diretor?
Amorim - Quem faz cinema, quem é ou quer ser diretor está sempre procurando uma história. Eu tinha dois ou três outros projetos, dois deles com roteiros prontos.Cineweb - Que você mesmo escreveu?
Amorim - Sim, junto com Davi França Mendes, que foi quem escreveu o roteiro deste filme. O outro era só mais uma idéia. Eu adorava aquelas histórias. Mas ficou claro para mim que essa veio como um rolo compressor em cima das outras e eu dediquei cada dia da minha vida, durante estes cinco anos, a este projeto. Claro que eu fiz outras coisas no meio-tempo, porque ninguém vive de vento e eu não sou rico.Cineweb - Você trabalha com publicidade também, faz aquele jogo de muitos cineastas brasileiros.
Amorim - É. Aí este projeto virou uma idéia fixa. Eu achava, na verdade, que meu primeiro filme seria um filme urbano. Até porque eu sou urbano, classe média, moro no Rio. Então você sempre acha que vai fazer um filme mais próximo do seu universo. Mas de repente me dei conta de que essa história, embora uma história de retirantes, de pessoas muito pobres, era mais próxima de mim do que todas as outras. Cineweb - Em que sentido?
Amorim - É uma comparação meio esdrúxula. Eu sou filho de diplomata, nasci fora do Brasil, inclusive. É uma comparação um pouco louca porque a gente nunca passou nenhuma privação, obviamente. Mas a coisa da vida errante e dos filhos irem ficando pelo caminho foi uma coisa que aconteceu com a minha família. Eu saí de casa, depois a minha irmã. Uma relação muito forte e às vezes conflituosa com o pai, essas coisas todas, você de repente percebe que têm uma universalidade nessa história que o fato de ela se passar em condições extremas faz com que temas comuns a todos nós, a mim, a você, a pessoas de classe média, baixa, alta, de outros países, se identifiquem. Porque, por causa dessas condições extremadas, essas emoções ficam mais à flor da pele.Cineweb - Aí você foi conhecer o Romão?
Amorim - Claro, eu e o Davi [França Mendes, roteirista]. Fomos atrás dos repórteres que descobriram a história e levamos quase uma semana para conseguir achar onde eles estavam lá no Rio. A família estava vivendo de ajuda, de uma assistente social e de um padre. E a primeira reação deles foi de uma certa desconfiança, obviamente. Cineweb - Por causa do que ele passou na estrada?
Amorim - Mais ou menos isso. Porque o Panamá, o personagem do Sidney Magal, não existiu na verdade exatamente como ele é. Mas existiram vários pequenos Panamás, na história verdadeira. Pessoas que tentaram engambelar o Romão, que disseram que iam pagá-lo e não pagaram. Então obviamente chegam dois caras da Zona Sul e dizem que vão fazer um filme... A reação normal deles foi: " Que história é essa?". Mas aí conversamos, a gente ganhou a confiança deles. Obviamente, foi feito um acordo financeiro. Cineweb - Os nomes da pessoas reais foram mantidos?
Amorim - Não, são todos diferentes. São nomes parecidos com esses, desse gênero que eu chamo de nomes brasileiros. Aí, ficamos três meses entrevistando eles, quase que diariamente, principalmente o Davi. A Lucy Barreto [produtora] ajudou muito também quando era o caso de entrevistar a mulher. Cineweb - Por quê?
Amorim - É como na psicanálise. Se você é homem, normalmente é melhor fazer análise com um homem e vice-versa. Para a Rose falar da relação afetiva deles ficava muito mais fácil contar a uma mulher. E aí quando a gente terminou essas entrevistas, já tínhamos um perfil psicológico muito bom, muito bacana desses personagens, os conflitos internos da família, as grandes questões, as grandes angústias que eles sentiam. Mas faltava uma coisa.Cineweb - O que era?
Amorim - Refazer o caminho deles. Aí eu e o Davi refizemos, só que de carro. O trajeto que eles fizeram em seis meses a gente refez em pouco mais de duas semanas, quase três. Foi importantíssimo porque não só vimos os lugares em que eles estiveram, como estivemos com muita gente com quem eles tinham estado e conhecemos muitas pessoas que nos ajudaram a criar, por assim dizer, a cor local para a ambientação do roteiro. Porque há uma tendência muito forte, principalmente na televisão brasileira, em mistificar e folclorizar o Nordeste. Na verdade, o Nordeste é uma espécie de caldeirão pop, pós-moderno. E há uma tendência de paternalizar personagens...Cineweb - Destituídos.
Amorim - Exatamente. Você acaba tendo uma visão piedosa e paternalista destes personagens que a gente absolutamente não queria, porque havia uma identificação muito forte nossa com a história e com os conflitos desses personagens. Então não havia porque a gente se colocar num patamar superior. Nem a eles nem à cultura não só da qual eles provinham mas que eles conheceram ao longo da viagem. Foi de onde, aliás, surgiu a idéia de colocar Roberto Carlos na história. Cineweb - Mas na vida real eles não cantavam mesmo Roberto Carlos?
Amorim - Eles cantavam um pouco como naquela cena em que eles cantam Se Você Pensa. Por prazer, não para ganhar dinheiro. Na verdade, eles conseguiram sobreviver mais de esmola, de lavar carros, pequenos bicos, esse tipo de coisa. Cineweb - Foi a Cláudia Abreu quem teve a idéia de cantar?
Cineweb - Não, a idéia de cantar já existia. Ela teve a idéia de a personagem dela cantar. Normalmente, cantavam só as crianças. Na verdade, eu já tinha tido essa idéia. Então ela sugeriu, eu adotei na hora. O Roberto Carlos é o cantor que mais se ouve no Brasil inteiro, é impressionante. Até saiu uma pesquisa do ECAD [Escritório de Arrecadação de Direitos Autorais] mostrando que ele mais uma vez é o campeão dos direitos autorais, de execução. E tem outra coisa que é óbvia mas na qual eu não pensava o tempo inteiro. Sou um cara de classe média do Rio de Janeiro e adoro Roberto Carlos. A família de retirantes gosta do Roberto Carlos. Ele tem uma abrangência na cultura brasileira que é enorme.Cineweb - Verdade que é a primeira vez em que ele autoriza o uso das músicas dele num filme?
Amorim - Não sei. Só sei que é a primeira vez que ele libera oito músicas para um mesmo filme, isso com certeza. Acho que talvez ele tenha liberado antes uma ou outra. Cineweb - Vocês fizeram muitas sessões-testes do filme?
Amorim - Fizemos em Juazeiro, Fortaleza, Recife, Salvador. Não eram pré-estréias. Não conhecíamos ninguém que foi a essas sessões. Cineweb - Para medir a resposta das pessoas?
Amorim - Na verdade, um pouco para balizar a estratégia de lançamento. Havia uma questão sobre se o final funcionava ou não. Tem gente que o acha um pouco desconcertante.Cineweb - E a conclusão foi positiva.
Amorim - A vasta maioria avaliou o filme como emocionante. Então isso nos deixou seguros em relação ao final, às faixas etárias e sociais. A gente teve uma média de 91% de ótimo e bom. Isso é bom porque, além da satisfação pessoal, cria uma confiança nos produtores e distribuidores. Agora, para ser sincero, eu acho que se sessão-teste fosse absolutamente infalível nenhum filme americano seria um fracasso. E não é bem assim. Cineweb - Apesar de alguns incidentes, você mantém uma certa leveza em toda a história. Em algum momento você pensou em torná-la mais dramática?
Amorim - Não. Eu não queria fazer uma história leve. A pungência da história está, fazendo uma comparação, com Bye, Bye Brasil. Eles passam algum perigo ali? Não, não passam. O grande barato do Bye, Bye Brasil e eu espero que seja o do meu filme também, o que eu tentei pelo menos, foi justamente fazer com que os conflitos internos da família, as alegrias, as angústias e as esperanças deles fossem a força-motriz do filme. É claro que a dificuldade física está presente e é mostrada. Mas eu não queria fazer um filme sobre isso. Não era um filme sobre a viagem, era sobre a família. Aí eu estaria fugindo da verdade dramática dos personagens para criar um tipo de apelo externo à história. Não era o que me interessava. Eu acho que tem um lado picaresco na história que se junta com o lado da aventura e que prescinde desse tipo de apelo. Cineweb - Vocês se inscreveram para concorrer à indicação para a indicação para competir ao Oscar de filme estrangeiro. Qual a sua expectativa nessa área?
Amorim - Quase todos os filmes se inscreveram. É praxe. Claro que eu adoraria que ele fosse indicado. Mas isso é melhor para o cinema brasileiro como um todo do que para o filme especificamente, seja ele qual for. Acho que qualquer diretor tem uma relação meio filial com seu filme. Você se sente meio mãe de miss. Quer que ela ganhe o Miss Universo, que ninguém fale mal dela, esse tipo de coisa. Cineweb - Você já tem outros projetos engatilhados para o cinema?
Amorim - Tenho três projetos. Um se chama Parada Modelo, que é uma história de como pode surgir uma história de amor que redima os personagens principais num ambiente absolutamente sórdido, de altíssima degradação moral. Tem também o Corações Sujos, baseado no livro do Fernando Morais. E tem um documentário sobre o Sidney Magal, chamado Meu Sangue Ferve por Você.Cineweb-12/9/2003
