06/06/2026

“O DNA do Porta dos Fundos está no filme como nos esquetes”, diz Fábio Porchat

Estreando no formato longa de cinema em "Contrato Vitalício", os famosos comediantes da internet contam como funciona sua inspiração em fatos e pessoas da vida real e nas críticas que recebem de todos os lados do espectro político.

Por Alysson OIiveira

Porta dos Fundos – Contrato Vitalício é o primeiro longa produzido pelo grupo de humoristas que ganhou fama com os vídeos lançados na internet desde 2012 – e desde então, fizeram também livro e programa de televisão. “A gente sempre pensa em conteúdo, e não na linguagem de cinema, de internet, de televisão. É tudo muito parecido na criação”, explica o diretor do longa e um dos fundadores do grupo, Ian SBF.

Já Fábio Porchat, que, além de protagonista, assina o roteiro com Gabriel Esteves, explica que o longa traz o mesmo DNA que os esquetes. “A gente queria deixar fluir como acontece nos vídeos do Youtube, mas pensando numa duração maior do que dois minutos. O filme tem 100 minutos”.

O ator e roteirista acredita que o longa – assim como os vídeos – expõe situações parecidas com as que todos vivem. “Há uma crítica e uma sátira”, diz. Em relação a momentos parecidos com a vida real, Gregório Duvivier, que interpreta um diretor de cinema no longa, confessa que participou de diversos testes com a famosa preparadora de elenco, Fátima Toledo, que serviu de inspiração para a personagem de Julia Rabello, num esquete e no filme. “Fiz teste para os dois Tropa de Elite, e consistia em ficar de quatro, como um cachorrinho, babando num papel-toalha. Quem o deixasse mais molhado, mereceria o trabalho, porque se esforçou mais”, conta.

Como nos vídeos no Youtube, os integrantes da trupe sabem que não vão agradar a todos – “a todos”, entenda-se, todos os lados do espectro político. “Já nos acusaram de incentivar as pessoas a serem gays, e também de transfobia. Nos acusam de sermos de direita, de esquerda... Quando você está desagradando, em algum momento a todos os lados, é um bom sinal”, afirma Duvivier. “Só vou ficar assustado mesmo quando nos acusarem de transformar as pessoas em deputados”, conclui Antonio Tabet.

Foto: Rachel Tanugi Ribas