05/06/2026

Documentário resgata trajetória de Beth Carvalho a partir de imagens feitas por ela mesma

Diretor do longa, Pedro Bronz fala sobre a sua relação próxima com a sambista e o processo de produção do filme, que chega aos cinemas esta semana



Beth Carvalho, filmando a si mesma e ao amigo Zeca Pagodinho (Crédito: Divulgação/Acervo de Luana Carvalho)

A Beth Carvalho sambista engajada todo mundo conhece. O que poucos sabem é o seu lado cineasta, capaz de carregar sempre uma câmera consigo, adorando filmar seus ensaios, encontros com amigos, a filha (a cantora e compositora Luana Carvalho), gravações de discos, bastidores de shows, reuniões de família... enfim, tudo o que pudesse. “O mundo podia não saber disso, mas o mundo do samba sabia muito bem”, conta Pedro Bronz, diretor e montador do documentário Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho.

Em entrevista ao Cineweb, o diretor explicou que sua mãe, Marion Bronz, conheceu Beth na infância, e foram amigas a vida toda, até a morte da cantora, em 2019. “Ela era para mim, a Tia Beth, Eu sempre a via filmando, mas só quando ela estava doente que me toquei que deveria buscar essas imagens e fazer um filme. Ela mesma topou, ajudou muito.” A primeira exibição do filme no país, no Festival do Rio do ano passado, foi dedicada à mãe de Bronz.

O material filmado ao longo de décadas estava espalhado em diversos lugares, na casa de Beth, com uma antiga assistente, numa casa vazia. A primeira etapa do projeto, que começou em 2018, foi reunir essas mais de 800 fitas em VHS, para depois poder passar por um processo de limpeza, restauro e digitalização. “Hoje o acervo dela está todo digitalizado para quem quiser pesquisar, fazer novos projetos a partir dessas imagens.”

Bronz explica que algumas imagens ainda continuam precárias, “numa qualidade que, normalmente, não se usaria num documentário. Mas há momentos raros, históricos, dos quais não podia abrir mão. O filme já começa com um dos piores materiais, para deixar claro que vai ter filmagem ruim, sim”. O documentário abre com uma gravação, feita por Beth, obviamente, de uma roda de samba no bar Bip Bip, no Rio. E logo no início alguém diz que o Mario Lago está lá, e é para a cantora filmá-lo. Com câmera em punho, ela sai em busca do ator e compositor e só para quando o encontra.

Beth, como mostra o filme, era assim. Destemida e carinhosa. Seus encontros com amigos, como Zeca Pagodinho e Cartola (uma gravação histórica, destaca o diretor), estão presentes a todo momento, assim como a filha Luana. “Ela foi filmada desde que nasceu. Todos seus aniversários, apresentações na escola, tudo. Por isso achei importante também pedir sua autorização, afinal sua vida ia para a tela. E a Luana sabe da importância dessas filmagens.” Ela é creditada como produtora associada.





























Pedro Bronz, diretor do filme (Crédito: Divulgação)


Durante um ano e meio, Bronz, cuja profissão principal é de montador, ficou trabalhando exclusivamente na montagem de Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho. Para construir o roteiro do longa, contou com a colaboração do escritor Leonardo Bruno – “um verdadeiro Google sobre samba brasileiro”. “Como minha experiência é de montador, meu lado diretor já faz o filme pensando nisso.”

O documentário também traz entrevistas com Beth quando ela já estava no hospital, e imagens de um de seus últimos shows que ela fez questão de fazer, mesmo tendo que permanecer o tempo todo deitada num sofá no palco. “Ela sempre foi gigante, mas cresceu ainda mais para mim com esse filme. Quando você é muito próximo, não tem dimensão do tamanho da pessoa, mas tudo o que está no filme é novidade para mim.”

Bronz ainda ressalta que esse é um momento excelente para lançar um filme sobre Beth Carvalho. Como mostra o longa, a cantora sempre foi muito engajada. Como ela diz, “gosta de estar onde o povo está”. E sempre foi enorme admiradora do presidente Lula. “Ela escreveu para ele quando estava preso, e ele respondeu às cartas dela. Eles tinham um respeito e carinho mútuos.”