Diego Luna defende cinema latino-americano mais unido
- Por Alysson Oliveira
- 02/12/2004
- Tempo de leitura 2 minutos
O mexicano Diego Luna se mostra mais versátil a cada filme. Seja falando inglês ou espanhol, o ator - que ficou famoso ao contracenar com Gael García Bernal em E Sua Mãe Também (2001) -, divide o tempo trabalhando em produções latino-americanas e também fazendo diversos filmes em Hollywood, como O Terminal (2004), dirigido por Steven Spielberg.Aproveitando o fato de estar no Brasil filmando Só Deus Sabe, uma co-produção com o México, o jovem ator divulgou 171, um drama policial do qual é um dos protagonistas ao lado de John C. Reilly, Maggie Gyllenhaal e Peter Mullan. O filme, que é um remake do argentino Nove Rainhas (2000), foi produzido por Steven Soderbergh e George Clooney. Luna conta que não viu Nove Rainhas até terminar as filmagens de 171. O que mais chamou sua atenção no roteiro foi a forma como os tipos humanos são abordados. "Gostei por ser honesto, parecido com um filme mexicano. Dá gosto e esperança ver que filmes como este podem ser feitos nos Estados Unidos", afirma.Mas, para adaptar o longa argentino ao cenário da Califórnia, algumas mudanças foram necessárias. "No original, a situação econômica do país é o pano de fundo. Na nova versão, Los Angeles é quase um personagem do filme", explica.Para ele, 171 fala da diferença de classes sociais na cidade norte-americana. "São tipos malandros, quase atores - todo dia têm de inventar uma nova história diferente", conta. Para ele, nenhum filme de ficção consegue retratar a situação de um país no mundo. "Filmes devem ser sobre seres humanos, somos todos iguais", analisa.Com seu jeito despretensioso, Luna nunca é reticente e tem opiniões bem definidas sobre o cinema mundial. "O cinema latino é bem diferente do americano", afirma. "Deveria ser criado um bloco cinematográfico entre os países da América Latina, como existe na Ásia", sugere.Para ele, algumas das melhores idéias têm brotado desse lado da linha do Equador. "Como é muito difícil fazer cinema na América Latina, só os melhores filmes conseguem sair do papel. É preciso ficar anos esperando um projeto andar. Por isso os filmes bons são tão poucos", explica.Atualmente, o ator participa em São Paulo das filmagens de Só Deus Sabe, dirigido por Carlos Bolado. Segundo o ator, esse longa é um "grande projeto de um road movie, que começa em San Diego e vai até São Paulo, envolvendo um mexicano e uma brasileira". Os planos futuros de Luna incluem um filme sobre futebol - uma de suas grandes paixões. Mas ele diz que no momento o projeto está um pouco complicado. Ele havia iniciado um trabalho com o cineasta inglês Michael Winterbotton, mas por conta de problemas com os produtores, um novo diretor foi contratado e um novo roteiro está sendo escrito."Não posso me envolver se não creio no projeto. Eu preciso gostar da história. Não posso trabalhar em um filme que acho ruim e depois ter de ficar defendendo-o", arremata.
