05/06/2026

Nostalgia dos anos 1990 marca primeiro longa solo de Maurílio Martins

O trio de protagonistas de O Último Episódio (Crédito: Divulgação)

Mais do que um sentimento, a nostalgia, em O Último Episódio, é o que dá forma à narrativa do primeiro longa solo do mineiro Maurílio Martins. O olhar para o passado molda a narrativa, que se passa no começo dos anos de 1990, mas, é claro, reflete sobre o presente. O filme chega aos cinemas brasileiros nessa quinta (09).

“Na pesquisa que fiz sobre imagens de televisão e jornais da época, me impressionou como as coisas eram parecidas com hoje, mesmo com a distância de tantas décadas”, conta Martins, em entrevista ao Cineweb, em videochamada. “Tinha uma reportagem de telejornal explicando o que era a internet, e o tom é o mesmo que se vê hoje nas reportagens explicando o que é inteligência artificial”.

Para transformar essa nostalgia em filme, Martins contou com a colaboração do produtor Thiago Macêdo Correia no roteiro, resultadando numa história que fala caro ao coração de quem era adolescente nos anos de 1990, com referências à cultura da época – em especial, ao desenho Caverna do Dragão e seu mítico último episódio.

Outras obras também estão na essência do longa, como a série Anos Incríveis e os filmes Conta Comigo e Meu Primeiro Amor. Enfim, referências que dialogam com a geração do diretor. Martins, no entanto, sabe que o filme não poderia falar apenas à sua geração, era preciso estabelecer um diálogo com pessoas mais velhas e mais jovens. Para isso, acredita que o processo de amadurecimento retratado no filme é universal.

“Algumas coisas não mudam. Os sentimentos que as pessoas têm, como descobrir o amor e a solidão, são sempre os mesmos, não importa a época. O que pode mudar é a tecnologia que nos cerca.”

Maurílio Martins, diretor do longa (Crédito: Divulgação)

Ele conta que uma jovem de 15 anos assistiu ao filme e lhe disse que sentiu vontade de viver na época em que se passa a trama. “É a mesma sensação que eu tinha assistindo a Anos Incríveis [série estadunidense dos anos de 1990, cuja trama se passava nos anos de 1960]. A gente navega por águas mais tranquilas quando
navega pelo passado”.

As origens do filme remontam ao final da primeira década dos anos 2000, quando o diretor pensava em fazer um curta, mas viu que a história de Erik (Matheus Sampaio), um adolescente tímido, poderia se expandir. Ele é apaixonado por Sheilla (Lara Silva), e, para a conquistar, inventa que tem uma fita com o último episódio de Caverna do Dragão. Mas, para assistir, ela deverá ir à casa dele, onde espera dar-lhe o primeiro beijo.

Para o diretor, o filme surgiu num momento em que a sociedade passava por uma grande transição tecnológica. Ainda existiam orelhões para todo lado, enquanto os smartfones começavam a se popularizar e tornar-se mais acessíveis. Como ele mesmo explica, o longa amadureceu com ele.

Martins faz parte da Filmes de Plástico, produtora mineira que fundou com André Novais Oliveira, Gabriel Martins (ele e Maurílio não são parentes), e o produtor Thiago Macêdo Correia. Em seus mais de 15 anos de trajetória, a empresa se tornou sinônimo de filmes de qualidade – tendo em seu currículo longas como Marte Um, Temporada e O Dia Que Te Conheci. E, claro, essa trajetória marca muito O Último Episódio, que, no fundo, também é sobre amizade.

“O filme que chega aos cinemas traz muito da minha barba branca,” brinca o diretor. “Nesse período em que que comecei a planejá-lo, fiz outros filmes, casei, tive filhos, perdi meu pai, algo com que tive muita dificuldade de lidar e surge como uma questão no filme. Eu digo que é um longa semiautobiográfico.”