Novo longa de Glenda Nicácio e Ary Rosa celebra alegria baiana
- Por Alysson Oliveira
- 19/05/2026
- Tempo de leitura 3 minutos
Renan Motta e Rodrigo Pandolfo, em cena de "Quem Tem Com Que Me Pague, Não Me Deve Nada" (Crédito: Divulgação)
Apesar de ser um roteiro que começou a ser escrito durante a pandemia de Covid-19, o que se vê na tela em Quem Tem Com Que Me Pague, Não Me Deve Nada, conforme diz a dupla de cineastas responsáveis pelo filme, “é a Bahia da alegria.” O longa, que chega aos cinemas nessa quinta, pulsa em cores e sons contando a história de um cineasta paulistano cuja vida se transforma ao trabalhar no Recôncavo Baiano.
Em seu sétimo longa dirigido a quatro mãos, Glenda Nicácio e Ary Rosa abordam como a cultura transforma não só a sociedade, mas, também, os indivíduos. Henrique Garcia (Rodrigo Pandolfo) é um cineasta paulistano premiado (ganhou Palma de Ouro) e paparicado que acaba de rodar seu novo filme. Na cena final, no entanto, há um problema, e ela precisaria ser refeita, mas, mesmo com todas as credenciais dele, não há dinheiro para isso. Desesperado, ele aceita um trabalho a contragosto: ir à Bahia para filmar um clipe de Cristian Mugunzá (Renan Motta), um cantor famoso e com muito dinheiro.
Ary, que assina o roteiro do longa, explica que, no filme, a parte do cinema entrou depois, pois sua ideia era celebrar o carnaval baiano em sua plenitude. “Quando comecei a escrever o roteiro era um momento muito sombrio. A festa, que não podíamos celebrar nas ruas, naquela época, era uma lembrança solar, animadora. E quando eu trouxe nossa área, o cinema, para o roteiro, o filme decolou.”
Ary e Glenda, no set de "Quem Tem Com Que Me Pague, Não Me Deve Nada" (Crédito: Divulgação)
Já Glenda explica que a combinação de música com a dramaturgia trouxe novos ares ao trabalho da dupla, cujo primeiro filme juntos foi Café Com Canela, de 2017. “Os personagens têm seu momento de destaque quando fazem seus números musicais, até mesmo os coadjuvantes têm seu momento de protagonista cantando e dançando. O elenco teve muito jogo de cintura para atuar e cantar,” lembra a diretora.
Henrique é um peixe fora d’água que se transforma na convivência com Cristian e seus amigos e amigas artistas. Os diretores contam que ele é o primeiro protagonista branco da filmografia deles, e contaram muito com o apoio de Pandolfo na construção desse personagem.
“Quando nós o conhecemos, ele protagonizava, no teatro, um musical sobre o Rock in Rio, e ficamos impressionados. Precisávamos de alguém que pudesse atuar e cantar, ele mostrou isso”, contam Glenda e Ary.
Os personagens e as personagens coadjuvantes são figuras que Ary confessa ter colhido ao longo dos anos desde que chegou a Salvador. "São pessoas da cena drag da cidade e parças que não estavam no roteiro, mas a gente foi trazendo para o filme.”
O cinema de Ary e Glenda, como mostram seus longas, é o do acolhimento e da compreensão entre dois ou duas estranhas, o da celebração da diversidade. “Eu penso muito numa frase: 'O que espanta a miséria é a festa'. E creio que buscamos isso, o encontro e a amizade num mundo sendo retomado pós-covid. O filme é a festa do encontro do pensamento antagônico,” conclui a diretora.
