“O conservadorismo não pode vencer”, diz Daniel Ribeiro que lança novo filme e HQ
- Por Alysson Oliveira
- 22/05/2026
- Tempo de leitura 3 minutos
Daniel Ribeiro, diretor de Hoje eu não quero voltar sozinho, tem dois novos projetos (Crédito: Divulgação)
Dezesseis anos depois do lançamento do curtaEu Não Quero Voltar Sozinho, e doze do longaHoje Eu Quero Voltar Sozinho, o diretor e roteirista Daniel Ribeiro retorna a esse universo com a HQ que adapta o filme. “O projeto começou em 2022, ano de eleições, quando o cinema brasileiro estava ameaçado, e eu não sabia o que esperar do futuro. Pensava no livro como a possibilidade de fazer outras artes,” conta o cineasta em entrevista ao Cineweb.
Quatro anos depois, com o cinema brasileiro indo muito bem, obrigado, Ribeiro lança
a HQ que traz ilustrações de Bruno Freire. “Esse é o primeiro volume, e resgata a história do filme. Quase tudo vem do roteiro. Quando conheci o trabalho do Bruno, achei que tinha tudo a ver com o universo do longa, a paleta de cores, os traços. Escrevi o roteiro da HQ, mas, também, dei toda liberdade para ele criar.”
A HQ Hoje Eu Quero Voltar Sozinho Vol. 1 é lançada pela Companhia das Letras, e chega num Brasil que Ribeiro classifica como bastante diferente daquele do lançamento do curta e do longa. “Não se falava em histórias de adolescentes gays no Brasil. Ainda mais de uma forma tão positiva e com final feliz.”
HQ roteirizada por Daniel Ribeiro e ilustrada por Bruno Freire (Crédito: Divulgação/Cia Das Letras)
O longa foi sucesso de público, ganhou diversos prêmios no Brasil e no mundo (dois deles no Festival de Berlim de 2014: FIPRESCI e Teddy Award, concedido a filmes de temática LGBTQIA+) e foi escolhido para representar o país no Oscar. Ribeiro explica que a boa recepção, especialmente de público, ia ao encontro de uma demanda que estava surgindo.
“Havia uma quantidade enorme de gente que estava querendo se ver representada na tela. Mas há algo de estranho no Brasil. Naquela época, havia menos resistência a esse tipo de história. Hoje, existem mais filmes com essa temática, mas a sociedade regrediu e não aceita tão bem. O mundo estava aberto para ouvir novas histórias LGBTQIA+.”
Para ele, o aumento de produções sobre personagens gays e afins tem bastante a ver com a ascensão das plataformas de streaming com filmes e séries. “O cinema não queria apostar nessa temática, mas outros formatos foram mais abertos. Acredito que o aumento dessas produções fez com que o conservadorismo se sentisse ameaçado. Mas precisamos lutar para que as pessoas não sejam impedidas de contar suas histórias. Não podemos deixar que o conservadorismo vença”.
Há pouco, Ribeiro lançou seu novo filme Eu Vou Ter Saudades de Você, no BFI Flare: London LGBTQIA+ Film Festival, no final de março. Todos os atores e atrizes do longa são transgêneros. “Era uma condição que coloquei para estar na tela”.
A trama acompanha um casal trans, que há anos compartilha uma história de amor, mas, quando decidem morar juntos, começam a se questionar sobre o relacionamento. Alice Marcone e Gabriel Lodi interpretam os personagens principais, e o roteiro é escrito por Ribeiro e Marcone.
“O filme é uma história de personagens trans, mas que busca compreendê-los para além da história de gênero deles. As pessoas ainda ficam muito confusas, mas a vida não pode ser sobre sexualidade dos outros.”
O longa deverá chegar aos cinemas brasileiros ainda este ano, mas, antes disso, explica o diretor, deverá passar em festivais pelo Brasil.
