06/06/2026

Diretor de “Rainha Diaba” prepara cinebiografia do roqueiro Renato Russo

O diretor de "Rainha Diaba" prepara a cinebiografia do roqueiro Renato Russo.
Depois de passar 14 anos afastado do cinema, entre 1984 e 1998, o cineasta Antônio Carlos da Fontoura pode chamar 2006 de seu ano de renascimento. Além de lançar dois filmes, Gatão de Meia Idade (estréia nacional nesta sexta, 27) e No Meio da Rua (em maio), o diretor está começando o segundo tratamento do roteiro de Religião Urbana – nada menos do que a cinebiografia de Renato Russo, o líder do conjunto brasiliense Legião Urbana, falecido em 1996.

Para que conhece o trabalho do diretor nascido em 1939, cujo maior sucesso de crítica foi Rainha Diaba (1974) – premiado no Festival de Brasília e exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes -, pode parecer estranho, à primeira vista, esta sua incursão no mundo do rock, ainda mais de uma geração e de uma cidade diferentes da sua. Nascido em São Paulo, Fontoura é radicado no Rio há décadas.

É o próprio Fontoura, em entrevista exclusiva no Hotel Caesar Business, em São Paulo, quem conta a feliz coincidência que o introduziu no projeto: “Fiz dez anos de terapia com o Luiz Fernando Borges, que é o melhor amigo do Renato Russo e obteve da família os direitos para filmar a história dele no cinema. Ele procurava um diretor e me convidou”.

Borges será o diretor-assistente e o co-roteirista da história, que, diferentemente de Cazuza – O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, vai se limitar à juventude do protagonista antes da fama. “O filme acaba quando o Renato cria o Legião Urbana”, garante o cineasta. Tanto Fontoura quanto Borges acreditam que está nessa fase, em que o personagem luta para afirmar-se no mundo da música e caminha para tornar-se um ídolo, “o material dramaticamente mais interessante para sustentar o filme”. Por causa dessa escolha, ficarão de fora informações pouco conhecidas sobre Russo. “Ele ia tornar-se cineasta quando morreu”, garante Fontoura.

Consciente da devoção quase religiosa da enorme platéia de fãs do roqueiro, Fontoura diz que não teme as cobranças e polêmicas que poderão surgir. “Acho que tenho ao meu lado a pessoa que melhor conhecia o Renato, que é o Borges”, afirma. Fora isso, deixa bem claro que este é “um projeto de ficção, não um documentário”.

Quanto às datas, ele espera começar as filmagens em 2007. No momento, Fontoura está finalizando o contato com possíveis distribuidores para o filme, que ainda não tem nem orçamento nem elenco definidos.