CineOP termina com balanço positivo e planos de futuro
- Por Neusa Barbosa
- 27/06/2024
- Tempo de leitura 4 minutos
Não é coisa simples um festival não ser competitivo e ter tanto saldo a oferecer, mas esse é exatamente o caso da CineOP que, não por acaso, acumula 19 edições com um balanço invejável.
Os números são de respeito: em 6 dias na cidade de Ouro Preto (MG), o evento atingiu um público presencial de 18.000 pessoas, com 153 filmes exibidos (15 longas, 1 média e 122 curtas) em 32 sessões de cinema em dois espaços: o Cine-Teatro do Centro de Convenções (510 lugares) e a praça Tiradentes, onde foi montado um cinema a céu aberto com 500 lugares.
Mas não é só de números que se trata, e sim da ocupação de um espaço. Ao tornar a animação brasileira o tema desta 19ª edição, a CineOP, de alguma maneira, supriu, ainda que temporariamente, a enorme lacuna deixada há 5 anos pelo desaparecimento do Anima Mundi, atraindo a Ouro Preto 30 animadores de diferentes gerações, que vieram exibir suas obras - algumas há muitos anos fora de circulação - e participar de debates muito estimulantes sobre o presente e o futuro deste gênero em que o Brasil tem uma presença destacada no mundo, que já chegou à indicação ao Oscar de O menino e o mundo, de Alê Abreu, em 2016.
A produção nacional de animação multiplicou-se especialmente a partir da criação de cursos especializados em todo o País - estima-se em cerca de 50 hoje - e também de editais e leis específicos que permitiram, por exemplo, a expansão das séries animadas para TV. Mas, como constataram muitos desses animadores, falta muito a fazer. É impraticável competirem por recursos no mesmo edital animações e filmes live action (ficções ou documentários), já que o tempo de produção da animação é muito mais extenso. É preciso criar editais e leis específicos para sustentar um setor que vem crescendo muito, mas igualmente vem perdendo profissionais tarimbados para outros países, onde as condições de trabalho são mais estáveis e bem-remuneradas.
Planos futuros
Com todos os seus resultados, de que ainda fazem parte os obtidos no segmento educacional - com o Cine Expressão atingindo cerca de 3.500 alunos de escolas públicas, entre 5 e 17 anos, com suas 7 sessões de 12 filmes, seguidos de debates - não admira que a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, já prepare a 20ª edição.
Numa entrevista coletiva no final do evento, Raquel não antecipa o tema da próxima edição, mas já revela algumas das preocupações que norteiam os organizadores do festival, como as questões climáticas e a necessidade de atrair a indústria cinematográfica para o centro do tripé deste festival: preservação, história e educação.
Um plano em curso é a finalização da reforma do cine Vila Rica, já iniciada e interrompida pelos desastres do governo federal anterior. Segundo Raquel, a reforma será retomada mas a estimativa é que a conclusão da sala leve cinco anos.
Finalmente, a coordenadora espera que os muitos debates e documentos extraídos nesta edição sirvam de base à implementação de um sistema nacional de preservação - aproveitando o fato de que hoje há uma diretoria específica dentro da Secretaria do Audiovisual -, além da regulamentação da lei 13.006, assinada em 2014 pela presidenta Dilma Rousseff, que prevê a exibição de pelo menos duas horas mensais de filmes nacionais dentro da grade curricular das escolas, como instrumento de formação dos alunos. Neste sentido, Raquel chama também a atenção para a necessidade de formação dos professores para dar cumprimento à lei.
Exibindo em sua programação raridades como Uma vida para dois, de Armando de Miranda e Sérgio Britto (1953) - que inicia agora sua longa jornada em busca de restauração - e Boom Shankar - o filme perdido do Guará, em que o diretor Sérgio Gag resgata imagens tidas como perdidas de uma viagem de 1972, entre outros títulos, o festival cumpriu lindamente sua vocação de espaço da memória e da preservação.
