Júlio Andrade concede coletiva em barco e pede filme com Kléber Mendonça
- Por Neusa Barbosa, do Recife
- 14/06/2025
- Tempo de leitura 4 minutos
Recife - Um dos homenageados da 29ª edição do Cine PE, o ator gaúcho Júlio Andrade teve uma coletiva diferente - a bordo de um catamarã, que levou jornalistas e outros convidados para um passeio pelas pontes e cenários do Recife nesta manhã de sábado (14), último dia de exibições do festival - como o filme hors concours Os Enforcados, de Fernando Coimbra, que acompanha a passagem da outra homenageada, a atriz e diretora Leandra Leal. As premiações serão divulgadas na noite deste domingo (15).
A bordo do barco, Júlio Andrade comentou as emoções desta homenagem à sua carreira, que começou em Porto Alegre com o filme Velinhas, de Gustavo Spolidoro, e decolou a partir de Cão sem Dono, de Beto Brant - que veio a Recife entregar o Calunga em sua homenagem.
O ator lembrou que um de seus primeiros esforços foi desembaraçar-se do forte sotaque gaúcho, buscando “um tom mais neutro”, o que lhe permitiu entrar nos diversos papéis que marcaram sua carreira, como o protagonista da minissérie Betinho: no Fio da Navalha (2024), responsável pela primeira de suas três indicações ao Emmy Internacional (as outras duas foram pela série 1 Contra Todos, em 2017 e 2018).
Betinho, como era conhecido o sociólogo e ativista Herbert de Souza, falecido em 1997, foi, segundo ele, um dos personagens mais marcantes de sua carreira. Mas o “mais difícil de largar” foi mesmo o de Gonzaguinha, que ele interpretou em 2012, em Gonzaga, de Pai para Filho, dirigido por Breno Silveira.
Recentemente, o personagem Rubinho, que ele acaba de viver no remake da novela Vale Tudo, também lhe deu muitas satisfações. “Quando você faz novela, é reconhecido na padaria. Você vai no restaurante, o pessoal sai da cozinha para te ver”, conta.
Novo filme e pedido
Indagado sobre o novo filme feito com o diretor paulista Cao Hamburger, Escola sem Muros, Júlio adiantou que vive o personagem de um professor da comunidade de Heliópolis, na capital paulista, Brás Nogueira, que se notabilizou por uma pedagogia contra a violência, na escola Presidente Campos Salles. Ainda não há data confirmada para o lançamento do novo trabalho.
Atendendo ao pedido da diretora do festival, Sandra Bertini, Júlio fez um pedido público ao passar por uma das pontes no roteiro do barco - uma tradição local. E o que ele pediu: “Quero fazer um filme com o Kleber!”, referindo-se ao diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho, que acaba de receber dois prêmios no mais recente Festival de Cannes com o filme O Agente Secreto. “Estou super-curioso para ver esse filme”, completou Júlio.
Elen Clarice e Júlio Andrade a bordo do catamarã em que aconteceu a coletiva da homenagem ao ator. Crédito: Neusa Barbosa
Outros filmes
Também presentes no barco, os membros das equipes dos últimos curtas e do longa exibidos na última noite competitiva, na sexta (13), falaram sobre suas respectivas obras.
O diretor baiano radicado em São Paulo, Pedro Maciel, contou que seu curta, Depois do Fim, teve seu roteiro escrito por ele em 2020. Foi nessa parte o maior esforço, já que o filme, como ele reiterou, “é 100% diálogos”, acompanhando o reencontro entre dois ex-namorados (Olivia Torres e Rodrigo Lozano), num filme de impressionante maturidade e eficiência dramática.
O outro curta, Tu Oro, de Rodrigo Aquiles, veio do Amapá, retratando ficionalmente a disputa entre os locais e invasores franceses pelo ouro de uma região que, no século XIX, ainda era disputada pelo Brasil e a França. Segundo o diretor, seu filme e outros diversos que vêm sendo produzidos no estado são resultado de recentes políticas públicas de fomento, cujo primeiro edital foi lançado em 2017.
Finalmente, o longa que encerrou a competição, a ficção paranaense Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa, acompanha, com uma alta dose de humor, a situação inusitada de um ex-casal, Sol (Chiris Gomes) e Miguel (Octavio Camargo), obrigados por conveniência econômica a continuarem convivendo na mesma casa quando entra na equação uma jovem atriz surda, Lola (Gabriela Grigolom), com quem Sol está vivendo uma relação.
Na coletiva, recorrendo ao seu intérprete de sinais, Gabriela reiterou a importância de que os filmes sejam exibidos com legendas para o público com deficiência auditiva - uma providência que, apesar das exigências da Ancine, eventualmente é driblada pelos exibidores. O Cine PE já adota esse procedimento há 10 anos.
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