É tudo verdade: “Vale dos esquecidos” mergulha na espinhosa questão da terra no Brasil
- Por Alysson Oliveira
- 05/04/2011
- Tempo de leitura 1 minuto
Logo na abertura de Vale dos Esquecidos, a diretora, Maria Raduan, deixa claro, é filha de fazendeiros, cresceu num ambiente parecido com aquele retratado no filme. E é exatamente isso que traz força e contundência ao seu documentário, que se embrenha no meio da mata em busca de respostas à questão da terra numa região conturbada do Brasil. São conflitos complicados – entre índios, posseiros, grileiros, pequenos proprietários etc – que não têm uma solução.
Maria volta suas lentes para uma região que há trinta anos ficou conhecida como ‘o maior latifúndio do Brasil’, a fazenda Suiá-Missu, que ocupou 1.5 milhão de hectares no Mato Grosso. A terra pertencia aos índios Xavantes, que nos anos de 1960 foram tirados de lá a força, e desde então, passou pelas mãos de diversos proprietários e foi alvo de disputas – muitas delas duram até hoje.
A documentarista fala com líderes indígenas, pequenos e grandes fazendeiros, líderes religiosos. No entanto, uma figura resume bem, porém, o sentimento de incompreensão: o fazendeiro John Carter. Um norte-americano que se apaixonou pela região em viagem de negócios há uma década e se estabeleceu com a família. Ele é um sujeito no meio de um fogo-cruzado. Como ele mesmo diz, tenta lidar com a situação da forma legal e sem causar problemas para seus vizinhos (sem-terra, índios, latifundiários), mas nem sempre isso é possível.
Vale dos Esquecidos se torna um filme fundamental para a compreensão da disputa de terra no Brasil. Ao retratar um universo específico, Maria acaba espelhando a disputa de terra que acontece em muitas regiões do país.
- CINE LIVRARIA CULTURA (SÃO PAULO - SP): 06/04 - 21H00M
- CINE LIVRARIA CULTURA (SÃO PAULO - SP): 07/04 - 15H00M
- UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ): 04/04 - 21H00M
- UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ): 05/04 - 13H00M
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