Baby do Brasil traz o sol de volta a Ouro Preto e prestigia documentário sobre ela
- Por Neusa Barbosa, de Ouro Preto
- 27/06/2026
- Tempo de leitura 3 minutos
Ouro Preto - Baby do Brasil chegou à cidade trazendo o sol de volta à paisagem invernal, no dia da exibição do documentário Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar. O documentário, que estreou no Festival É Tudo Verdade, em abril, conquistando três prêmios, integra a mostra competitiva no CineOP e tem sessão às 19h no Cine-teatro Petrobras.
Na coletiva desta manhã de sábado (27), a elétrica e sempre sorridente Baby, num figurino que incluía um grande chapéu vinho cobrindo os longos cabelos azuis e uma minissaia preta e botas, não poupou elogios ao filme - que levou 18 anos para ser concluído. “Este filme me traduz perfeitamente”, declarou.
Cobrindo as várias fases da vida da cantora, desde a adolescência, quando ela fugiu de casa e chegou a morar embaixo de uma ponte, passando pelo sucesso no grupo Novos Baianos, o nascimento de seis filhos e a conversão à fé evangélica, o documentário vale-se de um vasto acervo de materiais de arquivo. E é também uma forma de a cantora rever a própria trajetória e compartilhar parte de seu passado com os próprios filhos. “Não tinha contado quase nada aos meus filhos sobre as partes mais ousadas (de minha vida). Criei-os muito livres para ser o que são”, disse.
Apesar das mudanças radicais em sua forma de viver nestes seus 73 anos, ela não alimenta nenhum arrependimento: “As coisas que fiz, fiz com 100, com 1000%”. Faria de novo coisas como o Caminho de Santiago, uma jornada de 31 dias a pé, lhe perguntam. Ela não hesita: “Não faria de novo porque já fiz”.
Imune a críticas
Conjugando a psicanálise (que ela fez por 8 anos) com a religiosidade, ela garante que “não se incomoda de ser atacada nem julgada”. E diz que não se abala com isso: “Se eu conseguir mostrar para a pessoa de outra maneira, tudo bem. Senão, não fico infeliz”.
Baby atribui o sucesso da parceria com Rafael Saar à “leveza” dele. Tendo-o conhecido quando ele tinha 25 anos e cursava a graduação, a cantora viu nele “uma ausência de uma vaidade natural, que eu tenho também”. Ainda assim, admite que ficava pensando: “Será que ele vai captar tudo sem me julgar? Dei carta branca, fiquei só aguardando e ele conseguiu. Uma raridade”.
Rafael Saar, por sua vez, admite que “não planejou nada, estava muito aberto, fazendo o que foi permitido. Nem roteiro consegui fazer. Por isso demorou tanto”. Valeu a pena. Saar fez o documentário definitivo sobre Baby. Ninguém mais conseguirá ir tão fundo num retrato desta personalidade esfuziante e, por vezes, contraditória.
Evitando assumir-se como feminista, Baby diz que “acha uma delícia ser mulher”. “Se eu voltasse, mas não se volta, eu queria ser mulher de novo”, garante. Ela brinca que “é difícil ser feminina, mas estou me aperfeiçoando, eu chego lá”. E dá sua receita de mulher: “O mínimo de emocional, o máximo de guerreira do apocalipse, porque ninguém aqui não nasceu da barriga de uma de nós”.
Quando alguém lhe pergunta sobre sua posição sobre o racismo, ela dispara: “Jesus era negro. Dois povos foram escravizados na História, os judeus e os negros”. E diz que este posicionamento “é espiritual”, arrematando com mais uma frase de efeito: “A raça negra me representa”.
