19/08/2026

Cinebiografia resgata a memória do cantor Chorão

Gramado - A cinebiografia Chorão - Só os Loucos Sabem, de Hugo Prata e Felipe Novaes, levantou nesta noite de segunda (17) a plateia do festival como se esperaria, em se tratando de mais uma produção para resgatar a memória do popular cantor e compositor paulistano, falecido tragicamente em 2013, aos 42 anos.

A vibração do filme depende muito da energia do desempenho inegavelmente dedicado do protagonista, José Loreto, que recria a intensidade física de seu personagem na mais alta voltagem. A voz que se ouvirá nos cinemas, no entanto, será mesmo a de Chorão, dublando a interpretação de Loreto na gravação das muitas cenas de palco. Mas, sem essa entrega do ator ao protagonista, não seria possível ao filme alcançar a empatia que procura junto às platéias de sua geração, saudosas de uma das mais populares bandas pop da história recente, Charlie Brown Jr., da qual Chorão foi o vocalista, compositor das músicas e um líder carismático, ainda que polêmico e não raro contraditório.

Baseado livremente nas memórias da viúva de Chorão, Graziela Gonçalves, “Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha História com Chorão”, o enredo acompanha a juventude do cantor, que deixa São Paulo, onde nasceu, para morar em Santos, obrigado a seguir o pai Geraldo (Kiko Marques), deixando para trás a mãe (Georgette Fadel), na primeira separação dolorosa de sua vida. Outras, bem mais trágicas, se seguiram, com as mortes brutais de amigos próximos, acentuando as tendências depressivas de Chorão.

No meio disso, surge o romance com Graziela (Nanda Marques), que se torna um eixo afetivo em torno do artista em sua rápida ascensão ao estrelato, ladeado por parceiros como o baixista Champignon (Pedro Tirolli).

Uma eficiente recriação de época, um bom trabalho de Marcelo Escañuela, escora esta produção, que cultiva a nostalgia em torno da figura de Chorão, mas não escamoteia suas contradições e conflitos, inclusive com seus afetos mais próximos. Evita, no entanto, mostrar de maneira mais gráfica, a dependência de álcool e drogas que estiveram por trás da morte súbita do cantor, dependente de cocaína, preferindo concentrar-se em sua explosão artística, como um cometa que brilhou e se esgotou rápido. Não sem deixar saudades, que seus muitos fãs poderão saciar com este filme, que se segue ao documentário Chorão: Marginal Alado e à série televisiva Charlie Brown Jr. - Chegou Quem Faltava, ambos assinados pelo co-diretor deste filme Felipe Novaes.

Série médica

A noite de segunda (17) contemplou ainda a exibição, hors concours, do primeiro episódio da série Emergência 53. Criada por Andrucha Waddington, Cláudio Torres e Márcio Maranhão, a série terá 10 capítulos nesta primeira temporada, que começam a ir ao ar na próxima quinta (20), na Globoplay.

A temática gira em torno do cotidiano tenso de uma unidade de atendimento de emergência, chefiada pela médica Irene (Yara de Novaes). No primeiro episódio, ela atende o pedido de um ex, Maurício (Emílio de Mello), de acolher na unidade a filha dele, Manuela (Valentina Herszage), jovem enfermeira que pretende ter uma experiência mais extrema, semelhante a um front de guerra, para escrever sua tese. Ao acompanhar o atendimento aos feridos na explosão numa favela, a jovem é submetida a situações de risco, cuidando de uma jovem grávida soterrada nos escombros.

Laura Cardoso

A manhã desta madrugada desta terça-feira (17) ficou marcada pela notícia da morte da atriz Laura Cardoso, 98 anos. Ela esteve em Gramado em 2023, para receber o troféu Oscarito por sua longa e luminosa carreira.