Makhmalbaf politiza premiação da Mostra e compara situação iraniana com macarthismo
- Por Neusa Barbosa
- 04/11/2011
- Tempo de leitura 4 minutos
O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf politizou a rotina da premiação da 35ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, realizada nesta noite de quinta, no Cinesesc paulistano.
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, realizada nesta noite de quinta, no Cinesesc paulistano.
Último convidado da Mostra a desembarcar em São Paulo, na última terça, Makhmalbaf foi agraciado com um prêmio especial, o Humanidade Leon Cakoff – que, neste ano, excepcionalmente, foi atribuído a dois diretores. Antes de Makhmalbaf, recebeu o mesmo prêmio o canadense Atom Egoyan, também jurado nesta edição.
Recebendo o troféu das mãos de Walter Salles – seu amigo e colega num júri da Mostra há 16 anos
-, o diretor iraniano (de filmes como Salve o Cinema, Gabbeh e Um Instante de Inocência) transformou seu agradecimento num veemente protesto contra as violações à liberdade de expressão em seu país, onde ele não pode mais viver.
-, o diretor iraniano (de filmes como Salve o Cinema, Gabbeh e Um Instante de Inocência) transformou seu agradecimento num veemente protesto contra as violações à liberdade de expressão em seu país, onde ele não pode mais viver.
Makhmalbaf declarou que foram presos mais de 50 pessoas nas últimas semanas no Irã, todas ligadas ao cinema – produtores, atores, diretores. Entre eles, seu primeiro assistente no filme O Caminho para Kandahar. Por isso, ele pediu “permissão” para dedicar o prêmio a ele. E também pediu que produtores, diretores e atores brasileiros ajudem a “proteger essas pessoas no Irã”. Ao governo brasileiro, “muito respeitado no mundo, que não vote com o Irã em organismos internacionais, porque lá não se respeitam os direitos humanos”.
Segundo o diretor, 15.000 pessoas ligadas à cultura, como jornalistas, cartunistas, professores universitários e outros, foram presos pelo atual regime iraniano. “O que está acontecendo no Irã é muito pior do que o macarthismo”,afirmou, referindo-se à caça aos esquerdistas promovida nos EUA em meados dos anos 50.
Lembrando Leon Cakoff, seu amigo e diretor da Mostra, falecido no último dia 14 de outubro, Makhmalbaf destacou: “Sem ele,o cinema do Irã e do Oriente Médio talvez nunca tivesse chegado ao Brasil”.
Prêmios do júri
O júri da Mostra, integrado pelos cineastas Atom Egoyan, Nicolas Klotz, Jorge Furtado, Lúcia Murat e Mahamat Saleh Haroun, a roteirista Elizabeth Perceval, o escritor Fréderic Boyer, o produtor Cedomir Kolar e o crítico Jean-Claude Lamy, considerou como melhor filme de ficção a produção austríaca Respirar, de Karl Markovics.
O melhor documentário foi Marathon Boy, coprodução entre Índia, Inglaterra e EUA, dirigida por Gemma Atwal. O melhor ator foi Theodor Júliusson, da coprodução Islândia/Dinamarca Vulcão. A melhor atriz foi Alina Levshin, pelo filme alemão Combat Girls.
A crítica atribuiu dois prêmios: o Especial da Crítica, para a coprodução entre Rússia, Ucrânia e Alemanha Sábado Inocente, de Alexander Mindadze; e o Grande Prêmio para o filme turco Era uma vez em Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan.
Voto popular
O público elegeu, como melhor documentário nacional, dois filmes: Raul – O princípio, o fim e o meio,de Walter Carvalho; e Vai-vai 80 anos nas ruas, do estreante Fernando Capuano. O melhor documentário internacional foi Batidas, rimas & vida: as viagens de A Tribe Called Quest, de Michael Rapaport (EUA).
Na ficção, o público escolheu como melhor nacional Teus olhos meus, de Caio Sóh. A melhor ficção internacional foi também dividida entre dois filmes: Desapego, de Tony Kaye (EUA) e Frango com ameixas,de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud (França).
O prêmio da Juventude ficou para Uma Incrível Aventura, de Debs Gardner-Paterson (África do Sul/Ruanda/Inglaterra).
Prêmios Canal Brasil e Itamaraty
O prêmio Aquisição do Canal Brasil foi para o curta A casa da vó Neyde, de Caio Cavechini – que receberá R$ 15.000,00 e terá o filme exibido na emissora.
O melhor curta-metragem do prêmio Itamaraty ficou para Cine Camelô, de Clarissa Knoll (que receberá R$ 15.000,00). O melhor documentário (R$ 30.000,00) foi novamente Raul..., de Walter Carvalho. E a melhor ficção foi Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca, que receberão R$ 45.000,00.
Hector Babenco recebeu o prêmio Itamaraty pelo conjunto da obra.
