24/09/2026

Brasil tem participação discreta

Mais uma vez, o Brasil tem pequena participação no Festival. Apenas três longas e três curtas representam o País, sendo que apenas um deles – o curta Estação, de Márcia Faria – concorre ao prêmio máximo, a Palma de Ouro do formato.

A última vez que um longa brasileiro concorreu à Palma foi em 2008, com Linha de Passe, de Walter Salles – que acabou rendendo o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni.

O longa 5 vezes Favela – Agora por Nós Mesmos, retomada do projeto coletivo do Cinema Novo de 1961, será exibido fora de competição. Seu vínculo com o Cinema Novo continua, porque seu produtor é um dos maiores nomes do movimento, Cacá Diegues, que assinava um dos episódios do filme original (Escola de Samba, Alegria de Viver).


Nesta nova versão, trata-se de um outro filme coletivo sobre as favelas, que conta com cinco episódios e sete diretores (dois deles têm dupla direção). Os cineastas – Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Luciano Vidigal, Cadu Barcelos e Luciana Bezerra – saíram de oficinas preparatórias em diversas comunidades cariocas, já que a intenção do projeto era mesclar diferentes visões.

Quinzena

Outro longa, A Alegria, de Felipe Lacerda e Mariana Méliande (a dupla do cult de festivais, mas inédito em circuito comercial, A Fuga da Mulher-Gorila), estará na Quinzena dos Realizadores, concorrendo a prêmio próprio. Estrelado por jovens atores, a maioria sem experiência anterior, o filme narra um verão na vida de Luiza, 16 anos (a estreante Tainá Medina, de 15 anos), moradora do Rio de Janeiro, e sua relação com seus amigos, seus pais e seu primo João, desaparecido após um tiroteio nos subúrbios da cidade. O elenco conta ainda com Cesar Cardadeiro (o Bentinho criança da série Capitu, de Luis Fernando Carvalho), Mariana Lima e a veterana Maria Gladys.
Além de diretor, Felipe Bragança é colaborador constante de Karim Ainouz (como diretor-assistente e roteirista de
O Céu de Suely, nos roteiros da série
Alice
da HBO, e na concepção do novo filme do cineasta cearense, Praia do Futuro).
Marina Méliande, além de cineasta, é montadora e editora de som de mais de 40 filmes, entre curtas, médias e longas. Nos últimos dois anos, foi artista residente no Le Fresnoy- Studio National des Arts Contemporains (França) onde também desenvolveu um trabalho com vídeo-instalações.

Clássico restaurado

O terceiro longa é O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, cuja cópia restaurada integra a seção Cannes Classics. O filme venceu em 1985 o prêmio de melhor ator (William Hurt) em Cannes, além do Oscar daquele ano, na mesma categoria. Estarão presentes na sessão inaugural do filme, marcada para quinta (13), além do diretor e de Hurt, também a atriz Sonia Braga.

Na seção Cinéfondation, também competitiva e que reúne trabalhos de formatura de estudantes de cinema de todo o mundo, foi selecionado um curta de produção cubana mas dirigido por uma brasileira, Os Minutos, As Horas, de Janaína Marques, nascida em Brasília e residente no Ceará. O curta é um trabalho de formatura na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV – Cuba) e conta a história de Yoli, uma jovem de Havana, que vive em condições bastante humildes com sua mãe (Laura de La Luz e Xiomara Palácio – prestigiadas atrizes cubanas). Um dia, Yoli recebe de um homem um convite para sair e ela decide aceitar o convite, tentando mudar sua rotina, mesmo que seja apenas por um dia.

Outro curta é A distração de Ivan de Cavi Borges e Gustavo Melo, que está programado para a Semana da Crítica. Já exibido em festivais brasileiros em 2009, o curta assume o ponto de vista de um menino de 11 anos, Ivan, suas brincadeiras e dilemas em direção à vida adulta.