Brasília encerra edição 2019 com saldo positivo, apesar dos pesares
- Por Neusa Barbosa
- 02/12/2019
- Tempo de leitura 3 minutos

Verdade que alguns acontecimentos lamentáveis poderiam ter sido evitados - caso da interrupção da leitura de uma carta das entidades cinematográficas de Brasília, logo na noite de abertura, com segurança entrando no palco, ameaçando retirar o ator Marcelo Pelúcio que a lia e tendo afinal seu microfone cortado; e os xingamentos desferidos pelo coordenador geral, Pedro Lacerda, contra curta-metragistas na plateia, durante a apresentação do documentário O tempo que resta. Mas nem por isso o festival parou. Todas as noites, as apresentações dos filmes no Cine Brasília, como sempre na longa história do festival, foram marcadas por manifestos e protestos contra o governo que corta verbas da cultura e atrasa editais. A carta interrompida foi, afinal, lida em sua íntegra no dia seguinte pelo produtor do filme A Febre, Leo Mecchi (o momento na foto acima, e aqui em vídeo). A plateia vaiou (especialmente o secretário da Cultura e Economia Criativa do DF, Adão Cândido, por conta dos cortes de verbas - na foto abaixo), aplaudiu, gritou seus bordões, como sempre.
Filmes e representatividade

Dois longas da competição, no entanto, destoaram do perfil aguerrido do festival: Loop, de Bruno Bini, e Volume Morto, de Kauê Telloli, decepcionaram em forma e conteúdo. Poderiam ter sido substituídos por alguns dos longas que foram relegados às mostras paralelas, onde se viu muita coisa boa - caso de Filme de verão, uma notável experiência com adolescentes de Jo Serfaty (na foto ao lado, lembrado numa Menção Honrosa do júri); Fakir, de Helena Ignez, uma inteligência que não cessa de nos surpreender; Dorivando Saravá - o preto que virou mar, de Henrique Dantas,
belíssimo documentário em torno da figura de Dorival Caymmi; Siron - tempo sobre tela, de André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos, um mergulho no processo criativo do talentoso pintor goiano Siron Franco..
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