"Marte Um" emociona Gramado
- Por Neusa Barbosa, de Gramado
- 18/08/2022
- Tempo de leitura 2 minutos
Gramado - Todo festival vive um momento em que, depois da exibição de um filme, algo parece ter mudado, pelo impacto, choque, emoção que causa. Isto acaba de acontecer aqui com Marte Um, de Gabriel Martins, diretor de Minas Gerais que confirma com sobras o talento demonstrado em sua enérgica estreia, No Coração do Mundo (2019). Ao final da sessão de Marte Um, na noite desta quarta (17), na plateia, visivelmente comovida, que aplaudia de pé, muitos não escondiam o choro.
Marte Um, que estreia nos cinemas em todo o Brasil no próximo dia 25, tem mesmo esse potencial arrebatador, ao retratar uma família negra e trabalhadora de Contagem desfiando suas agruras e esperanças num país que acaba de eleger Jair Bolsonaro, em 2018.
A capacidade de empatia do filme está na profundidade com que delineia o perfil de seus quatro protagonistas: Tércia (Rejane Faria), a mãe, empregada diarista; Wellington (Carlos Francisco, de Bacurau), o pai, zelador de um condomínio; Eunice (Camilla Damião), a filha mais velha, estudante de direito e professora; e Deivinho (Cícero Lucas), o caçula, que o pai quer que seja jogador de futebol, mas ele sonha tornar-se astronauta, participando da primeira missão de colonização do planeta vermelho.
Compartilhando do cotidiano de gente de carne e osso, desafiando as carências e dificuldades, apoiando-se mutuamente no afeto e não abrindo mão de alegrias e sonhos, o filme evoca um humanismo denso e nada piegas que é, aliás, a marca registrada das produções da Filmes de Plástico, a produtora deste filme, da qual fazem parte o produtor Tiago Ricarte e o ator e diretor André Novais Oliveira (Temporada, Ela Volta na Quinta).
O que se vê na tela é gente comum, batalhadora, cujos olhos brilham, cujos sorrisos contagiam, cujas contradições são sempre congruentes, ou seja, trazem uma verdade que irmana o público e convida à empatia.
Há cenas lindas que ficam na memória: os dois irmãos, cada um em seu beliche, compartilhando segredos; a partida da filha, que vai morar com a namorada (um desafio para os pais que é tratado de forma sutil e na história);
a primeira visita da namorada à casa, envergando uma camisa do Atlético (pai e mãe são cruzeirenses); e o final, arrebatador.
a primeira visita da namorada à casa, envergando uma camisa do Atlético (pai e mãe são cruzeirenses); e o final, arrebatador.
Os quatro atores do filme "Marte um", com a equipe
É cedo para falar em premiações, porque ainda falta a noite competitiva desta quinta (18), quando será exibido o longa paulista Tinnitus, de Gregório Graziosi. Mas, se se pensar na história recente do festival, em 2019, Pacarrete, de Alain Deberton, acabou sendo o grande vencedor daquela edição depois de ter uma sessão com impacto semelhante a Marte Um. O tempo de apostas está chegando.
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