06/06/2026
Policial Comédia

Viva Voz

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O que desata a história é um celular, acionado por acidente no viva voz. Só assim a perua Mari (Viviane Pasmanter) descobre de uma tacada só o caso do marido Duda (Dan Stulbach) com a funcionária Karina (Graziella Moretto) e também o golpe que o sócio do marido está lhe armando na confecção (Luciano Chirolli). Outras traições vêm pelo caminho nesta comédia urbana, que insinua aqui e ali um leve e zombeteiro tom policial. A conversa de dois policiais (Ernâni Moraes e Paulo Gorgulho) é nonsense puro. Algo que pisca um olho a Quentin Tarantino, só que sem a violência explícita. Armados com pouco mais que muita conversa fiada, os dois assaltantes da história, dois universitários desempregados, aliás, não metem medo em ninguém.

É uma comédia urbana, com personagens classe média, que mostra ritmo, fricção, desenvoltura e segura o tom acima do real que caracteriza a maior parte das situações. Dan Stulbach tem a chance de mostrar algo diferente do popularíssimo espancador da novela "Mulheres Apaixonadas", na pele de um sujeito para lá de inseguro que sente culpa por ter "matado" o irmão (Supla) sem querer num acidente de carro - motivo para que faça análise há 10 anos - mas nenhum remorso por desviar dinheiro da firma de sua propriedade para não pagar impostos e acumular uma poupança no caixa dois para um negócio bem maior.

Pelo menos aqui se pode julgar melhor o potencial de Paulo Morelli como diretor já que seu primeiro filme, O Preço da Paz, premiado no Festival de Gramado 2003, era um projeto de seu produtor. E Morelli sai-se relativamente bem. Faz aqui uma comédia fluida, fluente, até com bastante sofisticação na carpintaria e nos efeitos visuais, bem como na direção de atores. É bom que alguém se lembre de fazer comédia no cinema brasileiro, oferecendo alternativas ao padrão rasteiro de Avassaladoras, de Mara Mourão, e da interminável franquia Xuxa e os Duendes.
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