Agora, o diretor Berliner aborda a mudança na vida das três irmãs, que se tornaram celebridades justamente a partir da própria produção do curta-metragem. O encontro com o cineasta, aliás, foi decisivo. Quando as encontrou pela primeira vez, em 1997, enquanto filmava a série de TV “Som da Rua", sobre músicos anônimos, o cineasta as surpreendeu num momento de interrupção momentânea da carreira. Foi a produção do programa quem lhes deu novamente os ganzás, instrumentos com os quais se apresentavam, o que permitiu retornarem à vida artística.
A repercussão deste programa da série “Som da Rua”, bem como do curta filmado posteriormente por Berliner, A Pessoa é para o que Nasce (mesmo nome do longa), fez com que a música da três irmãs chegasse aos ouvidos dos músicos Naná Vasconcelos e Gilberto Gil, na época curadores do festival Percpan. Assim, elas foram convidadas para participar do festival como artistas profissionais, apresentando-se em Salvador e São Paulo, pela primeira vez na vida recebendo cachês e ao lado de atrações nacionais e internacionais. O longa registra esta que foi a única turnê das "Ceguinhas de Campina Grande", como foram chamadas pela imprensa.
O diretor Roberto Berliner, é carioca, tem 46 anos e filmou curtas premiados no Brasil e no exterior, caso de Angola (1989), Street Sounds (1997) e Tuning the Inner Side (2002).
